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22.09.2021 - Editado em 22.09.2021 - Compartilhar:
Fato ou fake? Especialista do PROADI-SUS esclarece mitos e verdades sobre doação e transplante de órgãos

A negativa familiar é um dos principais entraves para que um órgão não seja doado no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, nos últimos anos, mais de 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada. Por isso, a autodeclaração é tão importante no ambiente familiar para que uma pessoa possa salvar até 8 vidas. 

Mas, além de todas as dificuldades naturais do processo, a desinformação é outro fator que prejudica a efetivação da doação. Para esclarecer o assunto, confira o que é fato ou fake segundo Amanda Angrisani, enfermeira do projeto TransPlantar - a iniciativa é conduzida pelo Hospital Sírio-Libanês por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). 


Basta colocar no RG para me declarar doador. FAKE!

Apesar do indivíduo manifestar interesse em vida sobre doação de órgãos, quem autoriza a doação após o falecimento do indivíduo é a família. Caso, após sua morte, a sua família recuse a doação, os seus órgãos não serão doados para transplante. Entretanto, em geral, quando a família tem conhecimento desse desejo, frequentemente autoriza a doação.


Doador que faleceu de Covid-19 não pode doar órgãos. FATO!

As vítimas da infecção pelo coronavírus, geralmente, não estão aptas para a doação de órgãos, pois se o vírus estiver ativo no organismo do doador, a pessoa que recebe o órgão pode ser potencialmente contaminada. Em nota técnica, o Ministério informa que há contraindicação absoluta para doação de órgãos e tecidos nos casos de doadores com COVID-19 ativa, com teste para SARS-CoV-2 positivo, e com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) sem etiologia definida e teste laboratorial não disponível. 


Independente do estado de saúde, qualquer pessoa pode doar órgãos. FAKE!

A doação de órgãos e tecidos não é permitida para pessoas que vieram à óbito devido a doenças infectocontagiosas ou que danificaram gravemente o organismo, pois a função do órgão pode estar comprometida ou a infecção pode ser transferida para a pessoa que irá receber o órgão. Pessoas soropositivos ao HIV, hepatites B e C, Doença de Chagas;

pacientes com doenças degenerativas crônicas ou tumores malignos; indivíduos em coma ou que tenham sepse ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas (IMOS) não poderão ser doadores. 


Quase todos os órgãos e tecidos do corpo podem ser doados. FATO!

É possível obter vários órgãos e tecidos para realização do transplante apenas de um doador. Podem ser doados rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões. Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos e tecidos provenientes de um mesmo doador. O único órgão que não pode ser doado é o cérebro. 


Idosos não podem se tornar doadores. FAKE!

O que determina o uso de partes do corpo para transplante é o seu estado de saúde. Em geral, aceita-se os seguintes limites, em anos: rim (75), fígado (70), coração e pulmão (55), pâncreas (50), válvulas cardíacas (65), córneas (sem limite), pele e ossos (65).


Mesmo vivo, posso ser um doador de órgãos sem prejudicar minha saúde. FATO!

A doação entre vivos também pode acontecer no caso de órgãos duplos, como por exemplo o rim. No caso do fígado e do pulmão, também é possível o transplante entre vivos, sendo que apenas uma parte do órgão do doador poderá ser transplantada no receptor. Os órgãos e tecidos que podem ser obtidos de um doador vivo são:

Rim: por ser um órgão duplo, pode ser doado em vida. Doa-se um dos rins e tanto o doador quanto o transplantado podem levar uma vida perfeitamente normal;

Medula óssea: pode ser obtida por meio da aspiração óssea direta ou pela coleta de sangue;

Fígado ou pulmão: poderão ser doadas partes destes órgãos. 


Todos os órgãos têm o mesmo prazo de validade e devem ser transplantados em até 24h. FAKE!

Cada órgão tem um prazo máximo para ser transplantado. O coração, por exemplo, deve ser colocado em outro corpo no prazo de até 4 horas. Já o tempo de isquemia do rim é de 48 horas. Os órgãos doados vão para pacientes que aguardam em uma fila única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (STN).


Após a cirurgia, devo agradecer meu doador. FAKE!

Por questões éticas, não é possível que a família do doador saiba para quem o órgão foi doado. Tanto o paciente transplantado como o doador devem permanecer no anonimato.


Quero ser doador! O que fazer? 

Se você deseja ser doador de órgãos e tecidos, a primeira coisa a fazer é avisar a sua família para que após a sua morte possam autorizar, por escrito, a doação. Caso queira doar órgãos ainda em vida, também é possível! Para mais informações, acesse o link.

Fato ou fake? Especialista do PROADI-SUS esclarece mitos e verdades sobre doação e transplante de órgãos
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