Resumo

Microrganismos resistentes (MR) são problemas de saúde pública por ameaçar os ganhos de sobrevida no tratamento de doenças infecciosas obtidos nas últimas décadas, particularmente entre pacientes gravemente enfermos internados em unidades de terapia intensiva (UTI), onde a frequência de infecções associadas à assistência à saúde e o uso de antibióticos é maior, o que favorece a indução da resistência bacteriana. Diversos esforços para descrever as diferentes facetas da resistência e possíveis intervenções para enfrentar esse grande desafio tem sido investigados. Carecemos de estimativas de incidência de aquisição de MR de estudos multicêntricos, incluindo colonização ou infecção, entre pacientes internados em UTI. Provavelmente, incidência de colonização por MR supere em muito a de infecções. Faltam também boas avaliações do impacto clínico e econômico da aquisição de MR em nosso meio. Tais estimativas não são disponíveis porque a maior parte dos dados não integra informações clínicas (incluindo infecções e desfechos), microbiológicas e custos no nível de pacientes individuais. O projeto tem como objetivo estabelecer uma plataforma de pesquisa colaborativa para apoiar o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos.  

O IMPACTO MR é uma plataforma de pesquisas que inicia como um estudo observacional prospectivo e colaborativo, entre os 5 hospitais do PROADI, também denominados Hospitais coordenadores: Hospital do Coração (HCor), Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), Hospital Sírio Libanês (HSL), Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC), Hospital Moinhos de Vento (HMV), descrita no protocolo em anexo, com coleta de dados clínicos, microbiológicos e de custos de pacientes internados em UTI adulto brasileiras, mantendo um padrão comum de coleta, de alta qualidade, formando um banco de dados único e com as mesmas variáveis.  

Participarão do estudo UTIs de 50 hospitais, com previsão de inclusão de 38.250 pacientes por ano. O estudo iniciou em novembro de 2018 e está em execução. Espera- se que os resultados desta pesquisa permitam delinear futuras estratégias de prevenção de infecção por MR para grupos específicos de pacientes internados no SUS, bem como auxiliar o dimensionamento do problema.

Introdução

Infecções por microrganismos resistentes (MR) são problema de saúde pública ameaçando ganhos de sobrevida no tratamento de doenças infecciosas obtidos nas últimas décadas, particularmente entre pacientes gravemente doentes internados em unidades de terapia intensiva (UTI), onde a frequência de infecções associadas à assistência à saúde e o uso de antibióticos é maior. As conquistas da medicina moderna, como cirurgias de grande porte, transplantes de órgãos, tratamento de recém-nascidos prematuros, e uso de quimioterapia, seriam impossíveis sem o tratamento efetivo de infecções bacterianas. A decrescente eficácia dos antibióticos nos últimos anos, com a chegada de cepas intratáveiscoloca-nos no alvorecer de uma era pós-antibiótica, estimando-se que em 2050, ocorram 10 milhões de óbitos associados a infecção por MR, superando a somatória de óbitos por câncer e diabetes melitus. Os estudos brasileiros de infecção por MR demonstram que esses pacientes apresentam alta mortalidade. Essas infecções estão associadas ao uso prévio de antibióticos e uso de dispositivos invasivos. Portanto, medidas de controle de infecção e uso de políticas antibióticas mais rigorosas são necessárias para controlar a disseminação desse tipo de micro-organismo. Nossos resultados ajudarão na elaboração do componente do setor de saúde do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos do Brasil em conformidade com o Plano proposto pela OMS. Avaliar o impacto clínico da aquisição (colonização ou infecção) de microrganismos resistentes (MR) entre pacientes internados em UTI adulto.

Métodos

O IMPACTO MR: Clínico é uma plataforma de pesquisas que inicia como um estudo observacional prospectivo e colaborativo com coleta de dados clínicos, microbiológicos e de custos de pacientes internados em UTI adulto brasileiras.

Critérios de elegibilidade dos pacientes

Todos os pacientes internados em UTI durante o período do estudo, iniciando no primeiro trimestre de 2019.

Critérios de elegibilidade dos hospitais

Hospitais públicos ou privados (70% de hospitais públicos);

Possuir CCIH constituída, conforme a Portaria 2616/98;

Possuir Programa de Controle de Prevenção de IRAS, conforme a Lei 9431/97 e a Portaria 2616/98;

Notificar mensalmente os dados de IRAS e MR ao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, conforme definido pela Anvisa e Coordenações Estaduais de Controle de Infecção;

Possuir UTI com pelo menos 10 leitos;

Ter acesso a diagnóstico microbiológico (laboratório próprio ou terceirizado);

Utilizar ou estar disposto a utilizar critérios de interpretação dos Testes de Sensibilidade a Antimicrobianos: BRCAST/EUCAST.

Coleta de dados e seguimento: Coletaremos dados de todos os pacientes adultos admitidos nas  UTIs dos 50 hospitais selecionados. Esses dados serão extraídos dos registros de saúde (i.e. prontuários, exames complementares). Esses dados incluem informações sobre função orgânica, características demográficas, diagnósticos, risco previsto de morte intra-hospitalar (utilizando  SAPS 3), uso de antimicrobianos e estado vital na alta hospitalar. Os dados clínicos serão anônimos e registrados na plataforma do estudo. Também coletaremos dados para caracterizar os hospitais, laboratório de microbiologia e CCIH.

Tamanho Amostral: Previsão de inclusão de 38.250 pacientes por ano, em 50 hospitais. Para avaliar o impacto clínico (i.e. mortalidade) da aquisição (colonização ou infecção) de MR no paciente grave, teremos 90% de poder para detectar fatores de risco com odds ratio 1,11 ou maior, considerando mortalidade 20% em pacientes e taxa de aquisição de MR de 20%.

Resultados

O estudo está em andamento, UTIs de 50 hospitais participarão do estudo com previsão de inclusão de 38.250 pacientes por ano. Espera- se que os resultados desta pesquisa permitam delinear futuras estratégias de prevenção de infecção por MR para grupos específicos de pacientes internados no SUS, bem como auxiliar o dimensionamento do problema. Além disso, os resultados do IMPACTO MR ajudarão na elaboração do componente do setor de saúde do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos do Brasil em conformidade com o Plano proposto pela OMS. Importante destacar que a epidemiologia dos MR difere entre os países, dessa forma uma avaliação nacional é necessária para determinar o impacto clínico (i.e. mortalidade, tempo de internação hospitalar) e as prioridades dessas infecções em âmbito nacional. Isso permitirá o uso eficaz de recursos finitos para melhorar as decisões e ações de saúde pública com dados nacionais específicos. Esta necessidade é especificamente reiterada na atividade 2.5.1.4 do Plano Nacional para a Prevenção e o Controle da Resistência Microbiana nos Serviços de Saúde da Anvisa. Como o tópico da emergência de resistência bacteriana representa uma ameaça maior, o impacto do presente estudo é mais amplo e abrange toda a sociedade. Adicionalmente, o formato de plataforma facilita que outros estudos sejam adicionados com custos mínimos, avançando no conhecimento e prática sobre estratégias para controlar o problema da resistência aos antimicrobianos.

Equipe


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