Bioengenharia para o tratamento de malformações craniofaciais congênitas
Hospital Sírio-Libanês

Bioengenharia para o tratamento de malformações craniofaciais congênitas
Bioengenharia
2018-2020

Bioengenharia para o tratamento de malformações craniofaciais congênitas
Resumo

O projeto abrange duas frentes de bioengenharia de tecidos, uma para bioengenharia de tecidos ósseo para tratar pacientes portadores de fissuras lábio palatinas e outra para bioengenharia de tecidos moles (gordura) para pacientes com microssomia craniofacial.

As fissuras lábio palatinas correspondem a cerca de 25% de todos os defeitos congênitos. Dentre as etapas do tratamento, o enxerto ósseo deve ser realizado para que haja estabilidade da maxila, dando suporte ao nascimento dos dentes.

Atualmente, o procedimento considerado padrão envolve a retirada de um fragmento do osso da bacia do próprio paciente, que é enxertado na região da fenda óssea. No entanto, apesar de ser efetivo este método pode estar associado a complicações como como dor intensa, lesão nervosa, sangramento e infecção.

Como alternativa, o projeto propõe um substituto ósseo que utiliza células-tronco do próprio paciente juntamente com um biomaterial, sem que haja necessidade de manipular a bacia, o que diminui dor, período de internação, melhorando, portanto, a qualidade de vida desses pacientes.

A microssomia craniofacial é a segunda malformação congênita mais frequente na face. Afeta o crescimento da mandíbula, podendo acometer também outros ossos da face, orelha, nervo facial e partes moles, o que causa assimetria facial. Seu tratamento envolve diversas etapas cirúrgicas ao longo do crescimento da criança. Para as partes moles, realizam-se habitualmente reconstrução microcirúrgica ou enxertos de gordura repetidos, ambos após o término do tratamento ósseo, ou seja, 15-16 anos de idade. Como alternativa, propomos otimizar a eficiência dos enxertos de gordura adicionando-se células-tronco do próprio paciente, o que evita a necessidade de procedimentos repetidos e permite que esta etapa do tratamento possa ser realizada antes, entre 10-15 anos.


Introdução

Projeto Bioengenharia de Tecido Ósseo – Fissura Labio Palatina

Buscando métodos alternativos para reconstrução do osso de portadores de fissura labiopalatina, nos dois triênios anteriores deste projeto PROADI (2012-2014 e 2015-2017) foi desenvolvido um protocolo inédito de bioengenharia de tecido ósseo utilizando células tronco da polpa de dente de leite da própria criança associadas a um biomaterial para reabilitar esses pacientes. Os resultados foram promissores quanto à eficácia e segurança da nova técnica. 

No triênio 201802020, o projeto contempla um ensaio clínico randomizado multicêntrico, cujo desenvolvimento também atenderá à proposta de capacitação das equipes multidisciplinares envolvidas no tratamento pré e pós-operatório e procedimento cirúrgico em sete centros participantes e um estudo de custo efetividade comparando a nova técnica ao procedimento padrão.

Projeto Bioengenharia de Tecido Mole - Microssomia hemifacial

O projeto de pesquisa pretende demonstrar que a técnica de bioengenharia de tecidos de partes moles utilizando-se células tronco mesenquimais para enriquecer a gordura para tratar a correção da microssomia hemifacial é capaz de melhorar a sobrevida e a permanência em longo prazo destes enxertos.

Este projeto está na fase II do desenvolvimento do protocolo de uso, período no qual será demonstrado se a técnica proposta melhora sobremaneira a eficiência do tratamento com enxerto de gordura, permitindo obter em um único procedimento o resultado que hoje requer 3-4 intervenções cirúrgicas. Isso permite antecipar o tratamento, corrigindo a assimetria facial em etapa mais precoce, o que melhora a qualidade de vida dos pacientes ao mesmo tempo em que reduz custos totais do tratamento.



Métodos
Projeto Bioengenharia de Tecido Ósseo: ensaio clínico randomizado, com cegamento dos avaliadores de desfecho, contendo dois grupos cirúrgicos paralelos e um total de 62 participantes. Grupo 1: composto por participantes que receberão o enxerto ósseo por bioengenharia de tecido (31), e Grupo 2: participantes que receberão o enxerto ósseo retirado da bacia (31). Os participantes devem preencher os seguintes critérios de inclusão: possuir diagnóstico de fissura lábio palatina unilateral pré ou transforame; Idade entre 7 e 12 anos, estar com a maxila alinhada e pronta para receber o enxerto. Serão critérios de exclusão: ter realizado cirurgia prévia para correção da fissura alveolar, ter o canino erupcionado antes da realização do enxerto, presença de morbidades ou documentação ortodôntica e tomográfica incompletas. Os desfechos primários do estudo serão a quantidade e a qualidade do processo de formação óssea para os métodos de reparação da maxila que serão avaliados através de medidas de volume e densidade óssea a partir de exames de tomografia computadorizada em face e os desfechos secundários são complicações trans e pós-operatórias (sangramento e dor), qualidade de vida e utilização de recursos de saúde para a avaliação de custo-efetividade.
 
Projeto Bioengenharia de tecidos moles: Ensaio clinico prospectivo, randomizado com cegamento, contendo dois grupos cirúrgicos paralelos e um total de 30 participantes pediátricos, Grupo 1: composto por participantes que receberão o enxerto com gordura estruturado e suplementado com células tronco por bioengenharia de tecido, (15), e Grupo 2: participantes que receberão o enxerto com gordura estruturado (15). O índice de permanência (retenção) do enxerto será avaliado e comparado seriadamente até 12 meses por imagens fotográficas 3D. Também serão avaliadas complicações trans e pós-operatórias (sangramento e dor), qualidade de vida e utilização de recursos de saúde para a avaliação de custo-efetividade.


Resultados

Projeto Bioengenharia partes moles: não há resultados prévios do projeto bioengenharia partes moles, pois será o primeiro estudo, porém é esperada melhor retenção da enxertia quando utilizada a estratégia de enxerto com gordura estruturado e suplementado com células tronco por bioengenharia de tecido.

 

Projeto Bioengenharia de Tecido Ósseo: Nos triênios anteriores demonstramos que o procedimento de bioengenharia de tecido (células tronco) para os portadores de fissura lábio palatinas foi tão bom quanto o procedimento de enxertia com fragmentos ósseos (tratamento padrão ouro), e observamos também a diminuição da dor e uso de analgésicos. 

Para o triênio 2018-2020, realizaremos estudo clinico prospectivo randomizado em múltiplos centros referência em tratamento de pacientes portadores de fissuras lábio palatinas no Brasil, onde atenderemos 62 pacientes divididos em 2 grupos: Grupo 1: enxerto ósseo com células tronco (31 pacientes); e Grupo 2: enxerto ósseo com osso da bacia (31 pacientes). Nesta fase pretendemos capacitar os profissionais envolvidos neste procedimento e obter o grau de evidencia 3, ou seja tratamento com células tronco é eficaz e seguro para os pacientes e pode ser realizado por diferentes grupos especializados em enxertia óssea.

Importante salientar que para o sucesso do tratamento é necessário o acompanhamento pré e pós cirúrgicos (3 meses antes e até 12 meses após a cirurgia), tendo em média 8 atendimentos por paciente – 496 atendimentos entre a triagem e exames até consulta pós cirúrgico com a finalização do preenchimento ósseo.  

Outro ponto importante é o estudo de custo-efetividade, onde faremos um estudo comparativo entre o procedimento padrão (enxerto com fragmentos ósseos) e com kit de bioengenharia (enxerto com células tronco do dente de leite), que tem por objetivo maximizar resultados em saúde diante de recursos financeiros disponíveis, ponderado qual oferece maior benefício e em razão do valor do investido.  

 



Liderança
Luiz Fernando Lima Reis
http://lattes.cnpq.br/8296739883987900

Daniela Franco Bueno
http://lattes.cnpq.br/8605096417282301

Daniela Yukie Sakai Tanikawa
http://lattes.cnpq.br/9916955483767702

Aline F. Pedrazzi S. Vieira
http://lattes.cnpq.br/2029159334571003


Equipe
Carla Cristina Gomes Pinheiro
http://lattes.cnpq.br/5157454574176654

Daniela Vianna Pachito
http://lattes.cnpq.br/1220937243637085

Diógenes Laércio Rocha
http://lattes.cnpq.br/6543421237238295

Rachel Riera
http://lattes.cnpq.br/0591884301805680


Colaboração

Aline H. Stern Tovo, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS.

Bruno Santos de Barros Dias, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, CTAC, Rio de Janeiro, RJ.

David Silveira Alencar, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, CTAC, Rio de Janeiro, RJ.

Dione Maria Viana do Vale, Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira - IMIP, Recife, PE.

Diogo Franco Vieira de Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ.

Fabriccio Marini, Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP.

Gustavo Lara Achôa, Núcleo de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio Palatais Prefeito Luiz Gomes, Joinville, SC.

Helena Marcia Guerra dos Santos, Hospital Infantil Albert Sabin, Fortaleza, CE.

Heloisa Gibrim, Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP.

Henrique Pessoa Ladvocat Cintra, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, CETAC, Rio de Janeiro, RJ.

João Valverde, Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP.

José Carlos Coelli, Núcleo de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio Palatais Prefeito Luiz Gomes, Joinville, SC.

José Ferreira da Cunha Filho, Hospital Infantil Albert Sabin, Fortaleza, CE.

Marco Aurélio Gamborgi, Núcleo de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio Palatais Prefeito Luiz Gomes, Joinville, SC.

Marcos Vinicius Martins Collares, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS.

Maria Cristina de Andrade Almeida, Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, São Paulo, SP.

Renato André de Souza Faco, Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC / Centrinho) Bauru, SP.

Rita de Cássia Moura Carvalho Lauris, Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC / Centrinho) Bauru, SP.

Roberta Martinelli Carvalho, Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC / Centrinho) Bauru, SP.

Rui Manuel Rodrigues Pereira, Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira - IMIP, Recife, PE.

Terumi Okada Ozawa, Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC / Centrinho) Bauru, SP.



Área Técnica

Área técnica do Ministério da Saúde

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE)

Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT)

Coordenação Geral de Pesquisa e Avaliação de Tecnologias em Saúde (CGFPATS)



INDICADORES

2
Atendimentos
realizados
19
Profissionais
capacitados
42
Profissionais envolvidos
com pesquisa
CONHEÇA OUTROS PROJETOS
Processando