Melhorando a segurança do paciente em larga escala no Brasil
Hospital Sírio-Libanês

Melhorando a segurança do paciente em larga escala no Brasil
Saúde em Nossas Mãos
2018-2020

Melhorando a segurança do paciente em larga escala no Brasil
Resumo
O projeto utiliza da metodologia denominada Modelo de Melhoria, orientada pelo Institute of Healthcare Improvement (IHI), utilizada com sucesso em várias iniciativas ao redor do mundo. A metodologia é aplicada, primeiramente, em um grupo pequeno de pacientes e profissionais da saúde, permitindo que o teste em pequena escala resulte em aprendizado e adaptações. Uma vez testado e implantado, procede-se para o restante da unidade progressivamente. A capacitação das equipes dos hospitais acontece por meio de encontros virtuais e presenciais, permitindo rica troca de experiência entre os hospitais. As melhorias implantadas são monitoradas por indicadores e por visitas técnicas in loco realizadas pelas equipes dos hospitais de excelência.


Introdução

A prestação do cuidado por profissionais da área da saúde pode ocasionar danos aos pacientes, os quais, na maioria das vezes não são intencionais, porém acarretam prejuízos físicos, emocionais, sociais e até fatais. Infecções relacionadas à assistência a saúde (IRAS) são exemplos destas condições que causam dano ao paciente.

 

As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são ambientes de risco onde processos e dispositivos invasivos são necessários para a manutenção da vida. Os processos de inserção e manutenção de alguns desses dispositivos podem aumentar a chance de infecções acarretando eventual sofrimento ao paciente, uso de antibióticos ou aumento do tempo de internação e do custo.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, de cada 100 pacientes hospitalizados, 10 pacientes ficam expostos a infecções associadas a cuidados de saúde nos países em desenvolvimento. No Brasil, o cenário não é diferente. Em hospitais brasileiros, acredita-se que cerca de 70% dos danos que ocorrem podem ser evitados. Dado esse contexto, o Ministério da Saúde (MS) instituiu em 2013 o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), cujo objetivo principal é contribuir para a qualificação do cuidado nos estabelecimentos de saúde públicos e privados.

 

O projeto Saúde em Nossas Mãos busca somar esforços aos programas nacionais vigentes, estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Vigilâncias Sanitárias locais. O objetivo é melhorar a segurança do paciente com a implantação de práticas de prevenção de infecções relacionadas ao uso de ventilação mecânica, uso de cateteres venosos e de sondas vesicais em 119 UTIs nas cinco regiões do Brasil.

 

Os cinco hospitais PROADI-SUS trabalham de forma colaborativa para a execução do projeto, utilizando metodologia e apoio técnico do Institute for Healthcare Improvement (IHI). São eles: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital do Coração, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio Libanês.



Métodos

As infecções prevenidas neste projeto são as mais prevalentes entre as IRAS e contribuem para o aumento da mortalidade, morbidade e dos custos hospitalares - infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter venoso central, comprovadas laboratorialmente (IPCSL), pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e infecção do trato urinário associada ao uso do cateter vesical de demora (ITU-AC). O pacote de mudanças está alinhado ao PNSP e ao PNPCIRAS.

 

É um projeto colaborativo conduzido pelos hospitais PROADI-SUS, equipe técnica do PNSP, Coordenação Geral de Atenção Hospitalar e de Urgência do Departamento de Atenção Hospitalar (CGHOSP/DAHU/SAS/MS).

 

Cada hospital PROADI-SUS orienta 24 instituições na adoção das práticas de prevenção, em diferentes estados do Brasil. Atualmente participam 119 instituições em 25 estados e Distrito Federal.

 

Os 119 hospitais são capacitados para implantar as medidas de prevenção por meio de Ciclos de Melhorias (PDSA), até que o processo seja sustentado e praticado por todos. Durante o projeto ocorrem sessões de aprendizagem presenciais (SAP) e virtuais (SAV) para a troca de experiências e acompanhamento dos resultados.

 

Os hospitais seguem um plano acordado com a equipe técnica de especialistas (hospitais PROADI e IHI) em forma de Diagramas Direcionadores (DD), adaptados às respectivas necessidades. As mudanças são monitoradas por visitas in loco, além dos indicadores reportados e analisados mensalmente.

 

O projeto utiliza a metodologia denominada Modelo de Melhoria (IHI), testada internacionalmente. Neste método os testes são feitos em pequena escala resultando em aprendizado e adaptações, antes da implantação em larga escala.

 

As ações essenciais para alcançar os resultados esperados incluem os testes de mudança, o trabalho colaborativo, o engajamento de pacientes e familiares e o desenvolvimento da liderança com foco na segurança do paciente.



Resultados

As Sessões de Aprendizagem Presenciais já realizadas ocorreram em dezembro de 2017, abril, agosto, novembro de 2018 e março de 2019, com participação em média de 600 pessoas das instituições participantes, Ministério de Saúde, Secretarias de Saúde, Vigilância Sanitárias e, convidados.

 

O resultado agregado dos 166 hospitais participantes da Colaborativa até novembro de 2019 mostra reduções de 46% das taxas de infecção de corrente sanguínea (IPCSL), 59% das taxas de infecção do trato urinário associada ao uso de cateter urinário (ITU-AC) e 51% das taxas de infecção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Estima-se que neste período foram evitadas 4334 infecções e 1506 vidas foram salvas.

 

Além dos resultados assistenciais, o projeto também realiza a coleta de dados em alguns hospitais voluntários para o cálculo do custo associado às infecções (custo incremental). Este modelo será aplicado nos hospitais participantes visando demonstrar os ganhos financeiros do projeto com a redução de custos e desperdícios.

 

A lista completa das instituições está disponível na página http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-seguranca-do-paciente-pnsp

Liderança
Alex Ricardo Martins
Gerente do projeto

Renata Mattos
Coordenadora do projeto

Equipe
Dr. José Mauro Vieira Junior
Patrocinador do projeto
http://lattes.cnpq.br/1606003274411072



Ethel Maris Schroeder Torelly
Coordenação Técnica do Modelo de Melhoria 
http://lattes.cnpq.br/4580319268254629


Dra. Fernanda Justo Bozola
Médica infectologista


Giselle Franco Santos
Especialista Projetos



Karina de Carvalho Andrade
Enfermeira Sênior
http://lattes.cnpq.br/8941539299526709


Beatriz Ramos 
Enfermeira Júnior 




 



Colaboração
Hospital Albert Einstein
Hospital do Coração
Hospital Moinhos de Vento
Hospital Osvaldo Cruz
Institute for Healthcare Improvement (IHI)

Área Técnica
Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA
Secretaria de Atenção à Saúde (SAS)
Ministério da Saúde

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