Transexualidade, qualidade e segurança na atenção e cuidado à saúde de travestis e transexuais
Hospital Israelita Albert Einstein

Transexualidade, qualidade e segurança na atenção e cuidado à saúde de travestis e transexuais
Transexualidade
2018-2020

Hospital Israelita Albert Einstein
Resumo

A pesquisa “Saúde trans, qualidade e segurança na atenção e cuidado à saúde de travestis e transexuais” determina mapear, avaliar e sistematizar informações fundamentais para a hormonioterapia, cirurgias no processo transexualizador e o bloqueio da puberdade, como demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). Seu escopo estabelece fundamentos de segurança e cuidados aos pacientes, submetidos a transformações corporais. A estruturação de informações também é considerada fundamental para embasar diretrizes e protocolos de atenção à saúde de pessoas “trans”. É importante gerar e compartilhar pesquisa científica, a partir de identificação dos reflexos e impactos na saúde desses pacientes, propiciando padrões ótimos de assistência. O projeto, ainda, visa à criação de um ambulatório especializado, no Hospital Municipal da Vila Santa Catarina (HMVSC), em São Paulo.
A iniciativa disseminará o conhecimento sobre melhores práticas de atendimento a pessoas “trans” e informações sobre o panorama atual brasileiro de atendimento, identificando suas lacunas e necessidades.
Diversos objetivos marcam a pesquisa, dentre os quais: avaliar o cenário de atendimento aos pacientes “trans”, do SUS, nos processos de transformação: cirurgias de redesignação sexual feminina e masculina, hormonioterapia na transição de gênero, e bloqueio da puberdade. Mapear o conhecimento e padrões de atendimento dos contextos já pesquisados no Brasil e em outros países, em relação a essas mudanças submetidas por pessoas, também faz parte dos planos, bem como mapear os efeitos da hormonioterapia. O procedimento de hormonioterapia, precedido ou não do bloqueio da puberdade, também será objeto de estudo, assim como seus possíveis impactos e reflexos em relação a: doenças, interações medicamentosas e metabólicas e interações com a doação e recebimento de órgãos, tecidos, sangue e funções reprodutivas. Além disso, o projeto pesquisará o impacto das transformações na saúde mental. Nesse sentido, profissionais serão capacitados no Centro de Simulação Realística (CSR) do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), para prestação de atendimento no ambulatório de especialidades no HMVSC, incluindo o recurso da telemedicina.
O projeto será desenvolvimento por meio de encontros anuais com profissionais da saúde de todos os centros de referência participantes, que assistem pacientes “trans”. Serão realizadas visita técnica à centros internacionais de referência no atendimento “trans”, buscando experiências de sucesso na assistência, além de Atendimento de indivíduos “trans” no HMVSC, com características que refletirão os padrões de qualidade identificados nas visitas técnicas e nas mesas redondas dos encontros. Tal serviço contemplará o atendimento na etapa inicial do processo transexualizador.
Entre os envolvidos no projeto, estão: SUS e seus profissionais de centros de referência: equipe interdisciplinar que acompanha esses pacientes, além do HIAE.



Introdução

Em dezembro de 2011 o Ministério da Saúde instituiu através da Portaria 2836 a Politica Nacional de Saúde Integral de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), que garante o direito a saúde integral humanizada e de qualidade no SUS e o Processo Transexualizador instituído pelas Portarias nº 1.707 e nº 457 de agosto de 2008 e ampliado pela Portaria nº 2.803, de 19 de novembro de 2013 garante o atendimento integral de saúde a pessoas trans, incluindo acolhimento e acesso aos serviços do SUS, desde o uso do nome social, passando pelo acesso à hormonioterapia, até a cirurgia de adequação do corpo biológico à identidade de gênero e social.

 O Brasil tem cinco centros de especialidade habilitados pelo SUS, que realizaram entre 2008 e 2016 cerca de 320 cirurgias.  Em 2017, mais quatro centros receberam a habilitação para o procedimento cirúrgico. Em trabalho conjunto com a Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP) do Ministério da Saúde, foram identificados 40 centros de atendimento a saúde da população transgênero. No entanto, são escassos os estudos que caracterizam a população trans atendida nesses serviços, assim como estudos que contemplam suas necessidades, que em muitos casos extrapolam as diretrizes do processo transexualizador

A abertura de novos pontos de atendimento da população assim como o amparo oferecido pelas UBS tem sido visto com grande valor pela população, por oferecer cuidados de saúde de forma humanizada pelo SUS. No entanto, a falta de uma capacitação formal ainda é refletida em casos de preconceito e desrespeito aos direitos da população transgênero, dentro de entidades de saúde públicas.

Os dados a respeito do processo são acessíveis pelas plataformas do DATASUS, porem as estancias federais, estaduais e municipais possuem diferentes sistemas, trazendo problemas na coerência dos dados. Assim questões como demanda reprimida e acesso qualificado a saúde da população transgênero são carentes de avaliações cientificas.



Métodos

Este estudo tem como objetivos principais conhecer os aspectos sociodemográficos, de saúde (depressão, ansiedade, entre outros) e qualidade de vida da população trans, por meio de questionários auto responsivos. Também será realizada a validação para o português de um instrumento psicométrico que investiga a saúde e qualidade de vida das pessoas trans.

Capacitar e praticar as habilidades comportamentais no atendimento, através  da metodologia de  simulação realística,    por meio de cenários clínicos que replica experiências da vida real  e favorece um ambiente participativo e de interatividade  e com isto  fortalecendo os princípios básicos de cidadania preconizados pelo SUS, atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação, que respeite as pessoas, seus valores e seus direitos.



Resultados
Colaborar para a qualificação do atendimento prestado pelos serviços de saúde, de forma que este esteja alinhado às melhores evidências disponíveis para a populção trans que são assistidas pelos Centros de Saúde.

Liderança
Dr. Eduardo Zlotnik - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes

Equipe
Dra. Ana Paula Avritscher Beck - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes
Msc. Ariadne Ribeiro Ferreira - Centro de Referencia em Álcool Tabaco e Outras Drogas, São Paulo, SP - Lattes
Dr. Giancarlo Spizzirri - Instituto de Psiquiatria  Hospital das Clinicas de São Paulo, São Paulo, SP - Lattes
Juliana Pereira Damasceno Vasques 
Msc. Liana Guerra Sanches Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes
Enfª Sandra Saemi Nakashima - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP


Colaboração
Ambulatório de Transexualidade do Hospital Geral de Goiânia Alberto Rassi (HGG) Goiânia, GO
Ambulatório trans da UEA Manaus, AM
Ambulatório de Disforia de Gênero do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), Rio de Janeiro, RJ
Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/AIDS de Santa Cruz, São Paulo, SP
Ambulatório do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (CEDAP) Salvador, BA
Ambulatório  LGBT – Patricia Gomes Recife, PE
Ambulatório transexualizador da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (UREDIPE) Belém, PA
Ambulatório para travestis e transexuais do Hospital Clementino Fraga João Pessoa
Ambulatório Portas abertas - Saúde integral das pessoas trans: cuidar e acolher, da Universidade Federal de Sergipe Campus Lagarto - SE
Ambulatório de Saúde de Homens Trans do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM) da Universidade de Pernambuco (UPE) Recife, PE
Ambulatório Trans DF Brasília, DF
Ambulatório de Saúde de Travestis e Transexuais do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP) Campo Grande, MS
Ambulatório de atenção especializada no Processo Transexualizador do Hospital Eduardo de Menezes – Rede FHEMIG, Belo Horizonte, MG
Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (AMTIGOS) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq/HC USP), São Paulo, SP
Ambulatório do Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Assistência à Pessoa Trans Professor Roberto Farina da UNIFESP, SP
Ambulatório de Estudos em Sexualidade Humana (AESH) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo Campus Ribeirão Preto, SP
Atenção à saúde de travestis e transexuais na Atenção Básica de São Paulo, SP
Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Salvador, BA
Policlinica Codajás Manaus, AM
Serviço do Processo Transexualizador do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC UFPE)- Recife, PE
Serviço do Processo Transexualizador do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC UFG)-Goiânia, GO
Unidade de Urologia Reconstrutora Genital do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (HUPE UERJ) Rio de Janeiro, RJ
Universidade Estadual de Campinas, SP

Beatriz Bonadio Aoki - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP
Fernanda Pahim Santos - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Dourival Sabino Gomes Filho - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Renato Tanjoni - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Silvia Lefone Milan - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Kauê Kamia de Menezes - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin


Área Técnica
Secretaria de Atenção Primária a Saúde (SAPS)

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