Assistência Médica Especializada na Região Norte do Brasil por meio de Telemedicina
Hospital Israelita Albert Einstein

Assistência Médica Especializada na Região Norte do Brasil por meio de Telemedicina
TeleAMEs
2018-2020

Hospital Israelita Albert Einstein
Resumo
O projeto visa a utilizar a expertise adquirida pela Central de Telemedicina do Einstein ao longo dos últimos sete anos para viabilizar a implantação de 120 ambulatórios de especialidades médicas por telemedicina para Unidades Básicas de Saúde (UBS) em municípios da região Norte do Brasil, tendo como enfoque teleconsultorias em sete especialidades médicas (endocrinologia, neurologia, neurologia pediátrica, pneumologia, cardiologia, psiquiatria e reumatologia), com o intuito de prover suporte diagnóstico e terapêutico a regiões carentes de recursos médicos especializados.

Introdução

Muitos países convivem atualmente com crises e desafios relacionados à oferta e distribuição de médicos pelos seus territórios nacionais. O Brasil, historicamente, enfrenta um problema crônico de acesso à saúde. No estudo Demografia Médica no Brasil 2018 é relatado que na década de 80 havia 1,15 médicos para cada mil habitantes do país. Em janeiro de 2018, o Brasil contava com 452.801 médicos, o que correspondia à razão de 2,18 médicos por mil habitantes. No entanto, o aumento desta taxa não foi, necessariamente, refletido em ampliação do acesso aos cuidados de saúde para a população brasileira, tendo em vista a imensa desigualdade de distribuição de médicos entre as diferentes regiões do país.

Quando se compara as porcentagens de médicos e de população por região (ou estado) com os números do conjunto do País, as desigualdades são mais visíveis. Por exemplo, na região Sudeste, onde moram 41,9% dos brasileiros, está mais da metade (54,1%) dos profissionais de todo o País. Ao passo que na região Norte, onde moram 8,6% da população brasileira, estão apenas 4,6% dos médicos.

Sendo assim, a implantação de ambulatórios de tele especialidades em municípios da região Norte, referente às especialidades de endocrinologia, neurologia, neurologia pediátrica, pneumologia, cardiologia, psiquiatria e reumatologia visa contribuir para o aprimoramento da política de acesso à assistência médica especializada, crucial no atual cenário da região, caracterizado pela carência desses profissionais. Assim objetiva melhorar a qualidade da assistência, reduzir os tempos de espera, melhorar a satisfação do usuário, reduzir o número de transferências desnecessárias de pacientes e, consequentemente, aprimorar a alocação de recursos para melhorar a saúde geral da população.



Métodos

A cada ambulatório será disponibilizada uma agenda para 16 teleconsultorias com especialistas no período da manhã e 16 teleconsultorias no período da tarde em dias úteis, correspondendo a cerca de 3.840 teleconsultorias por dia, 84.480 teleconsultorias/mês e, consequentemente, 1.013.760 teleconsultorias/ano. 

Além disso, o projeto contempla também o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica para o registro de informações em prontuário eletrônico, agendamento e teleconsultoria, videoconferência entre médicos da atenção primária e especialistas. Por fim, protocolos assistenciais para atendimentos à distância, adaptados dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, serão elaborados em repostas às demandas das teleconsultorias e compartilhados com os profissionais da saúde que atuam no SUS.



Resultados

Com a situação da pandemia instaurada no Brasil, a partir de março de 2020, devido ao novo coronavírus (Covid-19), foi realizada uma pausa no projeto entre março/2020 e setembro/2020, sendo as atividades realizadas nos demais meses do ano. Desta forma, foi realizada a implementação dos ambulatórios de especialidades médicas por telemedicina em municípios da região Norte do Brasil em duas localidades, sendo estas o Pará e o Amazonas. Nestas localidades foram ativadas no total 10 instituições, sendo 8 delas no estado do Pará (Abaetuba, Altamira, Breves, Castanhal, Jacundá, Marabá, Paragominas e Santarém) e 2 no Amazonas (Careiro e Manaus), nas quais foram realizadas um total de 1.168 consultas por telemedicina.

Além disso, foi realizada uma publicação científica no PublMed com fator de impacto 3,5 intitulada Teleconsulta em cardiologia na região com o maior número de cidades isoladas no Brasil: dados iniciais do programa governamental e ideias para melhoria, estando disponível no link: https://www.fortunejournals.com/articles/cardiology-teleconsultation-in-the-region-with-the-largest-number-of-isolated-cities-in-brazil-initial-data-from-the-government-pr.html



Liderança

Dr. Eduardo Cordioli – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP – Lattes



Equipe

Renata Albaladejo Morbeck – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP

Carlos Pedrotti – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP

Andre Pires dos Santos – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP

Cassia Coelhoso – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP



Colaboração
Alberto Beltrame

Área Técnica

Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e Secretaria Executiva (SE) do Ministério da Saúde.



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