Avaliação de estratégias de enfrentamento da epidemia de sífilis no Brasil
Hospital Moinhos de Vento

Avaliação de estratégias de enfrentamento da epidemia de sífilis no Brasil
SIM
2018-2020

Avaliação de estratégias de enfrentamento da epidemia de sífilis no Brasil
Resumo
A sífilis é uma infecção bacteriana causada pelo Treponema pallidum, cuja transmissão ocorre por meio do contato sexual ou durante a gestação (sífilis congênita). Se não for tratada precocemente, pode comprometer vários órgãos e o sistema nervoso central, podendo levar à morte. O número de casos de sífilis tem aumentado consideravelmente em vários países. Seu tratamento é realizado com penicilina, uma medicação de baixo custo. Porém, muitas vezes é necessária a administração de três doses e o acompanhamento do paciente por até dois anos para identificar falhas na resposta ao tratamento.

No Brasil, tem se observado um aumento progressivo tanto nos casos de sífilis congênita quanto de sífilis adquirida. Em 2016, a sífilis foi considerada uma epidemia pelo Ministério da Saúde, sendo Porto Alegre a capital com o maior número de casos registrados. Isso pode ser decorrente de falhas na identificação dos casos (pois inicialmente a sífilis é praticamente assintomática) ou do tratamento (que requer seguimento dos pacientes).

Nesse sentido, o projeto foi planejado para identificar os principais fatores associados ao aumento das taxas de incidência de sífilis no Brasil e testar estratégias para ampliar o diagnóstico e o sucesso do tratamento.

O estudo utiliza uma unidade móvel para a realização de testes de sífilis e HIV, instalada em locais de grande circulação de pessoas. O objetivo é identificar qual a proporção de indivíduos positivos que não sabem ser portadores da doença. Então, os pacientes com resultado positivo para sífilis são divididos entre três estratégias de acompanhamento: aplicativo via celular, contato telefônico e cuidado usual. Adicionalmente, um subestudo será realizado com os casos de sífilis identificados no município de Porto Alegre por outros meios (diagnóstico na Unidade Básica de Saúde, por exemplo). Esses pacientes serão contatados por telefone e convidados a responder um questionário contendo perguntas sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença.

Espera-se que o projeto aponte as principais lacunas existentes no diagnóstico, tratamento e monitoramento da sífilis, apontando propostas de controle da doença. As diferentes estratégias a serem testadas no projeto servirão como um piloto, especialmente em termos de logística e integração, mostrando a viabilidade de implementação destas estratégias em outros estados e municípios.


Introdução
A sífilis é uma infecção bacteriana causada pelo Treponema pallidum, cuja transmissão ocorre por meio do contato sexual ou durante a gestação (transmissão vertical - sífilis adquirida). A maioria dos infectados não apresentam sintomas nos estágios iniciais, mas podem desenvolver desde manifestações cutâneas até o comprometimento do sistema vascular e neurológico. Seu tratamento é realizado com penicilina, uma medicação de baixo custo, mas muitas vezes é necessária a administração de 3 doses e o seguimento do paciente por até 2 anos para identificar falhas na resposta ao tratamento. O número de casos de sífilis no mundo atingiu o nível mais alto desde 1949, e tem aumentado em vários países, inclusive no Brasil, onde tem sido considerada uma epidemia desde 2016. O controle da doença depende de estratégias amplas, que devem iniciar pela investigação dos principais fatores responsáveis pelo aumento das taxas de incidência e qualificação de informações epidemiológicas, estratégias de educomunicação e fortalecimento de parcerias interinstitucionais.
No Brasil, tem se observado um aumento progressivo dos casos de sífilis congênita e sífilis adquirida, principalmente na região Sudeste. Dados de notificação compulsória apontam que as taxas de sífilis adquirida passaram de 2 casos em 100.000 habitantes em 2010, para 42,5 casos em 100.000 habitantes em 2016, ano em que a doença foi considerada uma epidemia pelo Ministério da Saúde. Isso pode ser decorrente de falhas na identificação dos casos (pois inicialmente a sífilis é praticamente assintomática) ou do tratamento (que requer seguimento dos pacientes). A sífilis é uma prioridade de saúde pública no país, demandando ações para qualificação da prevenção, assistência, tratamento e vigilância.
Nesse sentido, o projeto foi planejado para identificar os principais fatores associados ao aumento das taxas de incidência de sífilis no Brasil e testar estratégias para o aumento do diagnóstico e tratamento.

Métodos
O projeto está estruturado em dois estudos: diagnóstico e monitoramento da sífilis.

Estudo 1: trata-se de um estudo clínico randomizado para avaliação de casos não identificados de sífilis e para avaliação de estratégias de monitoramento do tratamento de indivíduos com sífilis. Para isso, é instalada uma unidade móvel em locais de grande circulação de pessoas na cidade de Porto Alegre, e elas são convidadas a realizar teste rápido para sífilis. Adicionalmente, por oportunidade, estes indivíduos são testados também para HIV. Caso o teste inicial para sífilis ou HIV seja positivo, serão encaminhados para diagnóstico definitivo e tratamento na rede pública de saúde. Nesta segunda etapa, o indivíduo é alocado em uma das três estratégias de monitoramento/incentivo para completar o tratamento: aplicativo de celular, contato telefônico ou acompanhamento usual da rede pública de saúde. Ao final, pretende-se identificar qual a estratégia é mais efetiva para que os pacientes completem seus tratamentos.

Estudo 2: trata-se de um estudo observacional no qual as notificações de sífilis no município de Porto Alegre são avaliadas, através da obtenção de informações retrospectivas e prospectivas. Uma lista com os casos notificados é solicitada periodicamente à Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Os indivíduos que constarem na lista (e que não estiverem participando do estudo 1) são contatados por telefone e convidados a responder um questionário contendo perguntas sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da sífilis.

Adicionalmente, é disponibilizada uma central para dúvidas sobre diagnóstico, acompanhamento e tratamento da sífilis para profissionais de saúde e usuários.

Resultados
Espera-se que o projeto aponte as principais lacunas existentes no diagnóstico, tratamento e monitoramento da sífilis, apontando propostas de controle da doença.

Liderança
Eliana Marcia Wendland - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre
Vinícius Sabedot Soares - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre

Equipe
Luana Giongo Pedrotti - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre
Giovana Tavares dos Santos - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre
Thayane Martins Dornelles - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre
Thais Jacobsen Duarte - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre
Michele Paula Pretto - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre
Jaqueline Driemeyer C. Horvath - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre

Colaboração
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA
Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre

Área Técnica
Departamento de Vigilância Prevenção e Controle das IST, do HIV/AIDS e das Hepatites Virais (DDAHV)
Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)

INDICADORES

13
Profissionais envolvidos
com pesquisa
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