Qualificação dos de Dispositivos de Assistência Circulatória no Sistema Único de Saúde.
Hospital Moinhos de Vento

Qualificação dos de Dispositivos de Assistência Circulatória no Sistema Único de Saúde.
DACs
2018-2020

Qualificação dos de Dispositivos de Assistência Circulatória no Sistema Único de Saúde.
Resumo

A insuficiência cardíaca (IC) é uma situação em que o coração é incapaz de manter a circulação sanguínea adequada, sendo manejada usualmente com tratamento farmacológico e não-farmacológico (perda de peso, redução de sódio na dieta, entre outros).  Em situações mais extremas, o tratamento usual é insuficiente, tornando necessário o uso de dispositivos de assistência circulatória (DACs) e, em uma instância superior, o transplante cardíaco.

Os DACs são dispositivos intracardíacos ou de uso externo que auxiliam o coração a manter o débito cardíaco. Em outras palavras, são literalmente “motores” que ajudam a circulação sanguínea. São dispositivos modernos recentemente disponibilizados no mercado.

Estima-se que entre dois e quatro milhões de brasileiros sejam acometidos pela IC, que é a principal causa de hospitalização na população idosa. No Brasil, os DACs de curta duração (implantados por dias ou semanas), recentemente ganharam espaço na terapia da IC avançada em centros de excelência. Entretanto, tais dispositivos ainda não são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde e é evidente que a discussão sobre a incorporação dessa tecnologia no SUS será realizada nos próximos anos. Sendo assim, serão necessários dados robustos para embasar a tomada de decisão sobre o tema.

O projeto tem como objetivo avaliar o uso de DACs no SUS, estudando a efetividade da utilização destes dispositivos em pacientes críticos e os custos associados à sua implementação. Contribuindo, assim, com dados que possam dar subsídio à tomada de decisão a respeito da incorporação desta tecnologia no SUS.

O estudo DACs é realizado em cinco hospitais de alta complexidade da região Sul do Brasil (quatro no Rio Grande do Sul e um no Paraná), onde avalia a efetividade da implantação de dispositivos dos tipos ECMO e IMPELLA em pacientes críticos, especialmente nos potenciais candidatos ao transplante de coração. Uma equipe de pesquisadores é responsável pela coleta contínua de dados clínicos e custos.  Os profissionais dos centros participantes e de outras instituições indicadas pelo Ministério da Saúde também recebem capacitação altamente especializada em ambiente de simulação para o uso dos DACs.

Atualmente, o projeto conta com a participação de cinco hospitais da região Sul do Brasil: três em Porto Alegre, um em Pelotas e um em Curitiba. De abril de 2017 até dezembro de 2018, foram acompanhados 39 casos de implante de DACs (25 ECMOs e 14 IMPELLAs). Neste período, 134 profissionais foram capacitados presencialmente em cursos para uso de DACs.



Introdução
Estima-se que entre dois e quatro milhões de brasileiros sejam acometidos pela insuficiência cardíaca (IC). Na população idosa, a IC é a principal causa de hospitalização. É uma situação em que o coração é incapaz de manter a circulação sanguínea adequada, sendo manejada usualmente com tratamento farmacológico e não-farmacológico (perda de peso, redução de sódio na dieta, entre outros). Suas causas incluem cardiomiopatia isquêmica, hipertensiva, valvular e congênita. Em situações mais extremas, como o choque cardiogênico (falência total do coração), o tratamento usual é insuficiente, sendo necessário o uso de dispositivos de assistência circulatória (DACs) e, até mesmo, o transplante cardíaco.

Os DACs são dispositivos intracardíacos ou de uso externo que auxiliam o coração a manter o débito cardíaco. Em outras palavras, são literalmente “motores” que ajudam a manter a circulação sanguínea adequada. Estes são dispositivos modernos, recentemente disponíveis no mercado.
O uso de DACs surgiu como opção real de tratamento para pacientes em quadro de choque cardiogênico refratário às medidas iniciais. Geralmente, são utilizados temporariamente até que o coração restabeleça sua função ou até que um transplante cardíaco seja realizado.

Dada a crescente importância desses dispositivos no contexto internacional - devida aos bons resultados obtidos - é a evidente discussão sobre a incorporação desta tecnologia no SUS que será realizada nos próximos anos, serão necessários dados robustos que embasem a tomada de decisão sobre o tema.

O projeto tem como objetivo avaliar o uso de DACs no SUS, estudando a efetividade da utilização destes dispositivos em pacientes críticos e os custos associados à sua implementação. Contribuindo, assim, com dados que possam dar subsídio à tomada de decisão a respeito da incorporação desta tecnologia no SUS. Adicionalmente, o projeto capacita profissionais para o uso de DACs.


Métodos
O projeto DACs é um estudo de acompanhamento (coorte) de pacientes com 18 anos de idade ou mais, que receberam DAC do tipo ECMO ou IMPELLA como terapia para o choque cardiogênico em hospitais selecionados para o projeto, cuja equipe tenha recebido treinamento altamente qualificado para o uso desses dispositivos.

Os pacientes são acompanhados por até 90 dias depois da alta hospitalar. Seus dados clínicos são coletados pelos pesquisadores em prontuário, que registra os dados desde o início da internação que levou ao implante do DAC até a alta hospitalar ou o desfecho em 90 dias. Valores de custos de uso dos dispositivos também são coletados. A metodologia de análise de custos empregada é a de microcusteio - neste método, cada etapa do atendimento é identificada e, para cada uma é avaliada o seu custo em insumos e horas de pessoal (TDABC).


Resultados
O projeto DACS iniciou em abril de 2017 com a participação de cinco hospitais da região Sul do Brasil, escolhidos por serem instituições de referência no atendimento de casos de alta complexidade.São eles:

- Hospital Moinhos de Vento, RS
- Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS
- Instituto de Cardiologia/Fundação universitária de cardiologia, RS
- Hospital Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, RS
- Hospital Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, PR

Até dezembro de 2018, foram acompanhados 39 casos de implante de DACs (25 ECMOs e 14 IMPELLAs).

Em relação às capacitações, estas foram realizadas em ambiente simulado por profissionais da organização ELSO (Extracorporeal Life Support Organization). Em três edições, 134 profissionais foram capacitados.

Capacitação 1- 20 a 23 de fevereiro de 2017, Hospital Moinhos de Vento – Porto Alegre, RS
Capacitação 2- 13 a 15 de novembro de 2017, Hotel Deville – Porto Alegre, RS
Capacitação 3- 10 a 13 de outubro de 2018, Hotel Deville – Porto Alegre, RS

Quanto à avaliação econômica, realizou-se, ainda em 2017, um mapeamento de custos em duas instituições: Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Hospital Moinhos de Vento.

Para a sequência do estudo, dados obtidos a partir da análise de mais casos - com a inclusão de pelo menos mais uma instituição da rede - permitirão a execução de uma análise de custo efetividade mais ampla sobre o uso de DACs do SUS.

Ao longo do projeto DACS, a principal dificuldade identificada foi a administração do estoque desses insumos, que possuem curto prazo de validade e demanda variável, uma vez que a frequência com que ocorrem os casos depende de aspectos sazonais e populacionais que mudam conforme característica de cada instituição.

Para a sequência do projeto, além da continuidade das análises de microcusteio e custo-efetividade, a expectativa é de acompanhar 11 casos até o final de 2020, chegando ao total de 50, conforme estabelecido inicialmente como amostra.


Liderança
Regis Goulart Rosa – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS - Lattes
Rodrigo Wainstein – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS - Lattes



Equipe
Daniel Schneider – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS -  Lattes
Danielle do Amaral Pereira – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Participaram do projeto: Luis Eduardo Paim Rohde, Priscila Raupp da Rosa e Madeni Doebber


Colaboração
Hospital Moinhos de Vento, RS
Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS
Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia, RS
Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, RS
Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, PR


Área Técnica
Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT)
Departamento de Atenção Especializada e Temática (DAET)
Secretaria de Atenção à Saúde (SAS)


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