Teleoftalmologia como estratégia de atenção integral à saúde ocular
Hospital Moinhos de Vento

Teleoftalmologia como estratégia de atenção integral à saúde ocular
Teleoftalmo
2018-2020

Teleoftalmologia como estratégia de atenção integral à saúde ocular
Resumo
A telemedicina é uma alternativa utilizada por inúmeros países para ampliar a oferta de serviços de saúde, principalmente onde há vazios assistenciais. A tecnologia é largamente usada em países como Estados Unidos, Itália e Inglaterra, por exemplo.

O Projeto Teleoftalmo surgiu da necessidade de ampliar o acesso dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao diagnóstico oftalmológico, uma vez que a fila para atendimento nesta especialidade é uma das maiores que existem. Uma das principais causas de baixa oferta é a dificuldade de interiorização de médicos oftalmologistas.

Nesse sentido, o projeto objetiva, por meio da telemedicina, aproximar o médico oftalmologista  da atenção básica de saúde, principalmente em locais com déficit desta especialidade, avaliando seus custos e efetividade de implantação.

Para atingir seus objetivos, o projeto implanta consultórios remotos de alta tecnologia capazes de realizar a grande maioria dos diagnósticos oftalmológicos (retinopatia diabética, glaucoma, catarata e erros de refração). Tais consultórios são coordenados à distância por oftalmologistas, responsáveis por orientar e supervisionar a realização dos exames, e são operados localmente por uma equipe de técnicos de enfermagem e enfermeiros. Para avaliação do impacto do Projeto Teleoftalmo na saúde dos usuários do SUS, estão sendo realizados estudos de custos, de qualidade diagnóstica e de satisfação dos pacientes em relação ao atendimento.

Em 2017, foram implantados oito consultórios remotos e quatro salas de comando (o total previsto pelo projeto). De julho do mesmo ano (início do projeto, com abertura gradativa dos consultórios) até setembro de 2019, foram realizados mais de 20 mim atendimentos e disponibilizados 10.152 óculos à população. Das avaliações realizadas, 70% retornaram diretamente para o atendimento na rede de Atenção Primária à Saúde, sem a necessidade de encaminhamento para especialistas.

Ainda estamos em processo de coleta de dados para realização das análises de custo-efetividade, qualidade diagnóstica e satisfação dos usuários.

Apesar de não finalizada a coleta de dados, já evidenciamos que, operacionalmente, a implantação de consultórios remotos de teleoftalmologia é viável e permite atender a demanda reprimida do SUS, sem a necessidade de encaminhamento presencial em 70% dos casos.




Introdução
A Telemedicina envolve o uso de telecomunicações e tecnologia virtual para fornecer assistência médica fora dos serviços de saúde tradicionais, nos casos em que a distância é um fator crítico para o acesso. É uma alternativa utilizada para ampliar a oferta de serviços de saúde, principalmente onde há vazios assistenciais.
Além disso, o uso da telemedicina como tecnologia para viabilizar oferta de serviços em saúde, bem como educação, treinamento e apoio clínico aos profissionais da saúde vem crescendo, sendo rotineiramente oferecida nos países desenvolvidos. O Brasil, por ser um país de magnitude continental, possui locais isolados e de difícil acesso, ocasionando distribuição extremamente desigual de recursos médicos de boa qualidade.

Apesar da necessidade e importância da realização de exames oftalmológicos para o cuidado integral à saúde ocular da população, muitas regiões do país carecem de médicos oftalmologistas, e os pacientes aguardam meses por uma avaliação especializada. Somente no interior do Rio Grande do Sul, são mais de 15.000 pessoas aguardando por uma consulta oftalmológica pelo SUS. O tempo de espera estimado para o atendimento é de até 19 meses. Uma das principais causas de demora no atendimento é a baixa oferta de profissionais, decorrente da dificuldade de interiorização de médicos oftalmologistas.

Nesse contexto, o Projeto Teleoftalmo é uma alternativa para ampliar o acesso dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao diagnóstico oftalmológico e reduzir a fila de espera para o atendimento nesta especialidade.

Assim, o projeto Teleoftalmo objetiva implementar consultórios oftalmológicos para atender pacientes residentes no interior do Rio Grande do Sul, por meio da Telemedicina, aproximando o médico especialista da atenção básica de saúde. Pretende, ainda, avaliar a custo efetividade e a qualidade diagnóstica da implementação da teleoftalmologia voltada ao Sistema Único de Saúde.



Métodos
Para a implementação desse modelo de atenção à saúde ocular, foram instalados no Rio Grande do Sul oito salas remotas, localizadas em cidades que contemplam todas as macrorregiões de saúde do estado. Os municípios sedes são: Porto Alegre, Santa Rosa, Santa Cruz do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santiago, e Farroupilha.
As salas estão estruturadas com equipamentos capazes de realizar a grande maioria dos diagnósticos oftalmológicos (retinopatia diabética, glaucoma, catarata e erros de refração).
Os pacientes atendidos no Projeto Teleoftalmo são encaminhados por meio de uma plataforma web pelos médicos da Atenção Primária à Saúde (APS). O telediagnóstico oftalmológico é realizado via telemedicina síncrona, onde o oftalmologista, além de supervisionar toda a coleta de dados e imagens, interage diretamente com o paciente e a equipe de enfermagem dos pontos remotos, controlando uma câmera robotizada de alta definição instalada em um computador com sistema telepresença. Além  de operar remotamente a câmera robotizada, o oftalmologista comanda o refrator para a aferição da acuidade visual. Após a análise dos dados e imagens, o oftalmologista emite o laudo via plataforma web para o médico solicitante, junto com as recomendações de conduta.
Para fim de avaliar o impacto do projeto estão sendo realizados 3 estudos:  estudo de custos, que mensura os valores com a implantação e manutenção de cada consultório remoto; estudo de qualidade diagnóstica, que compara o laudo do exame médico à distância com o laudo do exame médico presencial; e o estudo de satisfação dos pacientes em relação ao atendimento prestado no consultório remoto.


Resultados
De julho de 2017 a setembro de 2019, foram realizados mais de 20 mil atendimentos e entregues 10.152 óculos à população. As patologias mais prevalentes diagnosticadas por meio do Teleoftalmo foram: erros de refração (70%), presbiopia (56%), catarata (12%), suspeita de glaucoma (8%) e retinopatia diabética não proliferativa (3%). Foi verificado que, aproximadamente, 70% dos pacientes atendidos no Teleoftalmo não necessitavam de avaliação presencial com oftalmologista. E ainda, que a conduta clínica mais comum é a sugestão de prescrição de lentes corretivas, em 75% dos casos.
Além dos benefícios associados à oferta de diagnóstico oftalmológico, o projeto qualifica a lista de espera por consulta presencial, uma vez que indica a gravidade do caso e necessidade de avaliação com brevidade.  Ainda estamos em processo de coleta de dados para realização das análises de custo-efetividade, qualidade diagnóstica e satisfação dos usuários.


Liderança
Eduardo Zanatta - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre – Lattes

Equipe
Amanda Gomes Faria - Hospital Moinhos de Vento - Lattes
Felipe Cezar Cabral - Hospital Moinhos de Vento - Lattes
Giuliano Uhlein Balardin - Hospital Moinhos de Vento - Lattes
Taís de Campos Moreira - Hospital Moinhos de Vento - Lattes


Colaboração
TelessaúdeRS-UFRGS
Secretaria Estadual de Saúde- SES-RS
Secretarias Municipais de Saúde dos municípios sedes dos pontos remotos


Área Técnica
Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes
Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES)
Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES)


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