Qualificação do programa de transplante de medula óssea do Sistema Único de Saúde
Hospital Moinhos de Vento

Qualificação do programa de transplante de medula óssea do Sistema Único de Saúde
Mais TMO
2018-2020

Qualificação do programa de transplante de medula óssea do Sistema Único de Saúde
Resumo
O Transplante de Medula Óssea (TMO) é o terceiro tipo de transplante mais realizado no Brasil e é indicado para o tratamento de doenças onco-hematológicas. Devido ao aumento do número de centros transplantadores e da ampliação da indicação do TMO, este tipo de transplante vem apresentando aumento significativo na última década.

A alta variabilidade de custos de um paciente que realiza TMO gera fragilidade econômica para os hospitais transplantadores do SUS, já que os valores que excedem esse repasse financeiro não são repactuados e, portanto, são absorvidos pela instituição pública. Neste contexto, são necessárias iniciativas que visem a análise dos recursos financeiros nas diferentes etapas do transplante, o levantamento de dados clínicos, a qualificação de profissionais e gestores de saúde e a padronização do cuidado ao paciente transplantado com o propósito de melhorar a eficiência dos recursos públicos.

Assim, o Mais TMO tem o objetivo de qualificar o programa de transplante do SUS, por meio de atividades de gestão e educação de equipes transplantadoras, em acordo com à Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT).

Com o intuito de viabilizar o desenvolvimento de atividades de gestão, educação e pesquisa, foi firmado um acordo de cooperação com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), instituição de referência em TMO. São captados pacientes do HCPA candidatos ao transplante que estejam em lista de espera, para realizar as seguintes etapas: avaliação ambulatorial pré-transplante, internação para a realização do procedimento, e seguimento no hospital-dia por um período de 100 dias após a data do transplante.

A análise econômica é feita por meio de um mapeamento de custos nas diferentes fases do tratamento e, posteriormente, é realizado estudo de custo-efetividade e impacto orçamentário. Este projeto prevê a coleta de registros clínicos referentes ao transplante, tendo como objetivo monitorar dados demográficos, critérios de indicação, acompanhamento do procedimento, complicações imediatas, mortalidade, eventos clínicos, funcionalidade e qualidade de vida pós-transplante.

Além disso, o projeto desenvolve cursos voltados para a capacitação de profissionais do SUS e gestores da saúde, a fim de qualificar e unificar o cuidado ao paciente candidato e submetido ao TMO. O Mais TMO iniciou em setembro de 2016 e até o momento foram realizadas atividades relativas ao desenvolvimento de cursos de capacitação, realização de TMO, coleta de dados para registros clínicos, desenvolvimento de protocolos clínicos assistenciais e análises econômicas.

Espera-se que os estudos econômicos, análise dos dados de registro clínico e o desenvolvimento de capacitações colaborem a médio e longo prazo para qualificar o programa de TMO do SUS.



Introdução
Algumas doenças como as leucemias e os linfomas têm como tratamento o TMO, no qual é realizada a substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais na expectativa de reconstituição de uma medula saudável. Estas células normais podem ser obtidas do próprio paciente ou de doadores que tenham compatibilidade sanguínea com o receptor.

Os pacientes submetidos ao TMO costumeiramente são indivíduos gravemente doentes pelo fato de sua medula não estar em pleno funcionamento, sendo acometidos muitas vezes de infecções decorrentes da sua deficiência imunológica.

O TMO é o terceiro tipo de transplante mais realizado no Brasil e inteiramente coberto pelo SUS. No Rio Grande do Sul há muitos pacientes à espera para transplantes, o que demanda maior oferta de procedimentos. Há necessidade do SUS em conhecer todos os aspectos que compõem os custos de um transplante, podendo assim discutir de maneira robusta as constantes demandas de ajuste de tabela de remuneração pelos prestadores de saúde. O desenvolvimento de protocolos e manuais sobre TMO, além da constante capacitação dos profissionais de saúde, são fundamentais para disseminar boas práticas assistenciais nas instituições transplantadoras, garantindo a otimização de recursos públicos.

Com o desenvolvimento do projeto “Mais TMO” objetiva-se qualificar o programa de TMO do SUS, por meio da otimização de processos, os quais envolvem: Estudos de avaliação econômica para compreender o custo operacional das diversas fases deste tratamento; desenvolvimento de material de apoio para tomada de decisão; e capacitação de equipes do SUS vinculadas ao transplante.
 
Assim, devido à complexidade desses pacientes, são necessárias equipes multidisciplinares treinadas, especializadas e dinâmicas frente a todas as complicações que podem ocorrer. Além disso, é importante destacar que o transplante consome uma grande quantidade de recursos financeiros, resultando em custos operacionais elevados.


Métodos

O projeto desenvolve capacitações nas modalidades EAD e presencial com aulas teóricas e observacionais, ofertados a profissionais de centros transplantadores do SUS, a fim de qualificar o serviço.

Este projeto atende pacientes que aguardam em lista de espera para realizar TMO no HCPA, parceiro deste projeto. Os pacientes realizam TMO no HMV, reduzindo assim o tempo de espera para realização do procedimento. O projeto contempla as fases pré-TMO,  transplante e pós-TMO imediato (100 dias após TMO). Após este período o paciente é encaminhado ao HCPA, permitindo que mais pacientes beneficiem-se do Projeto.
São coletados dados clínicos para um banco de dados de pacientes transplantados que serve de parâmetro para discussões do SUS quanto ao TMO. Dentre os dados coletados, destaca-se: complicações imediatas, eventos clínicos a médio e longo prazo, funcionalidade e qualidade de vida pós-transplante, além do desfecho clínico.

A equipe do HMV em conjunto com a equipe do HCPA, constróem protocolos objetivando uniformizar os procedimentos, reduzir desperdícios e oferecer tratamento qualificado.

O Projeto realiza estudos de avaliação econômica, como microcusteio, custo-efetividade e impacto orçamentário. O microcusteio contempla as fases: pré-TMO; internação; pós-TMO; e tratamento com fotoférese extracorpórea (FEC). O estudo tem três etapas: identificação do fluxo do paciente; mensuração de custos (identificação de tempos e recursos consumidos); e análise dos resultados.

Para o custo-efetividade foi desenvolvido um modelo de Markov para simular desfechos e custos sob perspectiva do SUS e do prestador de serviço. O modelo considera uma coorte hipotética de pacientes com doença onco-hematológica. Foram utilizados dados de custo de reembolso e microcusteio. Os parâmetros clínicos e de qualidade de vida foram extraídos de dados da literatura. Para impacto orçamentário foram estimados: gasto esperado com TMO; fração de indivíduos elegíveis para TMO; e grau de inserção do mesmo.



Resultados

O projeto iniciou em setembro de 2016 e até outubro de 2018 foram realizadas atividades relativas ao desenvolvimento de cursos de capacitação, realização de TMO, registros clínicos, protocolos clínicos assistenciais e estudos econômicos.

Foram realizados quatro cursos de capacitação em TMO para profissionais do SUS, provenientes de centros transplantadores do sul do país. Os cursos ocorreram entre abril e agosto de 2017, com aulas teóricas e observacionais no HMV e HCPA. Os cursos ofertados foram: Capacitação para manejo hospitalar do TMO para enfermeiros; capacitação para manejo ambulatorial do paciente pré e pós-TMO para enfermeiros; Capacitação para manejo hospitalar do TMO para técnicos de enfermagem; e Capacitação multiprofissional para acompanhamento ambulatorial e hospitalar do paciente candidato e submetido ao TMO. Foram capacitados 52 profissionais, sendo 22 enfermeiros, 10 técnicos em enfermagem e 20 profissionais de equipe multidisciplinar. Foi desenvolvido material teórico, aprimorado a partir das experiência em aula, resultando em um manual para o manejo do paciente submetido ao TMO, disponibilizado ao Ministério da Saúde.

Até o outubro de 2018, foram realizados 16 transplantes de medula óssea em pacientes PROADI-SUS no HMV. O registro clínico conta com mais de 50 pacientes transplantados e pacientes submetidos a FEC, contemplando dados demográficos essenciais, critério de indicação, eventos e desfecho clínico, complicações imediatas, mortalidade e qualidade de vida pós-TMO.
Foram disponibilizados ao Ministério da Saúde protocolos  de atenção ambulatorial ao paciente pós-TMO: consulta de rotina; orientações para o tratamento de DECH e avaliação ambulatorial pós-TMO.

Os resultados dos estudos econômicos do período de internação apontaram variabilidade significativa entre os custos dos pacientes,  alto impacto orçamentário no SUS, porém uma opção custo-efetiva quando apropriadamente indicada.



Liderança

Claudia Caceres Astigarraga – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Fabiano Barrionuevo – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS - Lattes



Equipe

Dora Fraga Vargas – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Eloisa Ely Frota – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS
Gabriela Oliveira Zavaglia  – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Ivaine Taís Sauthier Sartor – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Lisandra Della Costa Rigoni – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Luciane Beatriz Kern – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Mariana Pinto Pereira – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Thainá Dias Luft – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes
Tatiana Schnorr Silva – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS – Lattes



Colaboração
Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS

Área Técnica

Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT)
Departamento de Atenção Especializada e Temática (DAET)
Secretaria de Atenção à Saúde (SAS)



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