Estratégias para segurança e qualificação do cuidado do paciente crítico, visita ampliada e continuidade do cuidado pós-alta hospitalar.
Hospital Moinhos de Vento

Estratégias para segurança e qualificação do cuidado do paciente crítico, visita ampliada e continuidade do cuidado pós-alta hospitalar.
UTI Visitas
2018-2020

Estratégias para segurança e qualificação do cuidado do paciente crítico, visita ampliada e continuidade do cuidado pós-alta hospitalar.
Resumo
No Brasil, as UTIs de pacientes adultos frequentemente adotam modelos restritivos de visitação (de uma a duas horas por dia). A privação do contato entre o paciente criticamente enfermo e seus familiares pode contribuir para complicações psicológicas em ambas as partes. Contudo, a complexidade do ambiente da UTI demanda uma série de cuidados organizacionais para que a flexibilização da visita familiar ocorra de forma segura. Além da questão da visitação, outro aspecto importante das internações na UTI é o acompanhamento após a alta hospitalar. Dados das últimas décadas, predominantemente da Europa e América do Norte, mostram redução da qualidade de vida em longo prazo, principalmente às custas da grande ocorrência de complicações físicas, cognitivas e de saúde mental. No Brasil, infelizmente poucos estudos avaliaram a temática, tornando necessário ampliar o conhecimento dessas questões.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Hospitalar, dentre suas diretrizes, preconiza a ampliação dos horários de visita, para humanizar cada vez mais o cuidado em UTI, e a alta hospitalar segura como mecanismo de compartilhamento do cuidado entre o hospital e os demais pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Assim, é fundamental que a implementação em larga escala, tanto da ampliação do horário de visitas em UTI, quanto das orientações para a alta segura, seja embasada em estudos que considerem os diversos cenários do contexto nacional.

Diante disso, o projeto visa contribuir com subsídios para a segurança e a qualificação do cuidado do paciente crítico, através de dois estudos nacionais “UTI Visitas” e “Qualidade de Vida pós-UTI”.

O estudo UTI Visitas é realizado em UTIs de hospitais públicos e filantrópicos brasileiros para avaliar se um modelo flexibilizado em 12 horas de visita em UTI - focado na educação dos visitantes - possui benefícios clínicos para pacientes e é seguro para todos os envolvidos, em relação aos modelos de visitação restrita usuais e em vigor.
Para tanto, informações de pacientes, familiares e profissionais da saúde no âmbito de UTI são coletadas nos dois tipos de visitação.

O Qualidade de Vida pós-UTI é um estudo realizado em 10 hospitais representativos das regiões do Brasil que visa registrar informações sobre a saúde de pacientes egressos da UTI ao longo de um ano.  Entrevistas presenciais e telefônicas, são utilizadas para avaliar a ocorrência e os determinantes de complicações nessa população.

O estudo UTI Visitas iniciou em abril de 2017, envolvendo 1685 pacientes, 1060 familiares e 737 profissionais de 36 UTIs de hospitais públicos e filantrópicos brasileiros. O estudo Qualidade de Vida pós-UTI iniciou em maio de 2014 e incluiu  1618 pacientes. Os resultados dos estudos serão divulgados até o final de 2019.



Introdução

A flexibilização da visita em UTI é um ponto importante para o cuidado centrado no paciente e na sua família. Entretanto, pode levar à maior sobrecarga dos profissionais de UTI e a uma desorganização deste serviço, caso não seja bem estruturada. Assim, estudar um modelo de visita flexibilizada com foco na segurança do paciente, na organização do cuidado e na educação do familiar é essencial para prosseguir rumo à implementação desta tecnologia. 

Outro aspecto importante sobre pacientes críticos é a qualidade de vida destes após a alta da UTI, usualmente afetada por morbidades físicas e/ou neurocognitivas que podem surgir ou piorar como consequência da doença crítica, levando a reinternações hospitalares e, até mesmo, à morte. A identificação dos preditores dessas morbidades pode auxiliar no desenvolvimento de políticas e na alocação de recursos de saúde.

A Política Nacional de Atenção Hospitalar preconiza a ampliação do tempo de visita para tornar o cuidado em UTI mais humanizado, e incentiva a alta hospitalar segura como ponte entre o cuidado hospitalar e os demais pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Tais diretrizes são congruentes com o acompanhamento direcionado ao manejo do paciente após a alta da UTI, que pode resultar em melhor qualidade de vida, retorno mais rápido ao trabalho e redução de custos no Sistema Único de Saúde. Assim, é fundamental que a implementação, tanto da ampliação do horário de visitas em UTI quanto das orientações para a alta segura, seja apoiada em estudos que considerem a diversidade do cenário nacional, garantindo segurança para pacientes, familiares e profissionais.

Assim, o projeto visa contribuir com a segurança e a qualificação do cuidado do paciente crítico através do estudo de um modelo de visita flexível em UTI (Estudo UTI Visitas), e do registro a longo prazo das condições de saúde de pacientes egressos da UTI, com a avaliação da viabilidade de um acompanhamento ambulatorial pós-UTI (Estudo Qualidade de Vida pós-UTI).



Métodos
O estudo UTI Visitas é ensaio clínico randomizado em cluster cruzado, com a participação de 36 UTIs provenientes de hospitais públicos e filantrópicos brasileiros. O estudo se propõe a avaliar se um modelo de visita ampliada (12 horas diárias) em UTI, focado na educação dos visitantes e na organização do cuidado, possui benefícios clínicos para pacientes e é seguro para pacientes, familiares e profissionais da UTI, em relação aos modelos de visitação restrita usuais (menos de 4,5 horas diárias). Ambos os modelos são avaliados com a participação de 50 pacientes e seus familiares em cada UTI, além dos profissionais que prestam assistência em saúde da unidade. Ao final, são comparados os desfechos clínicos e assistenciais entre a visita ampliada e a visita restrita, como infecção, delirium, tempo de internação, carga trabalho e satisfação.

O Qualidade de Vida pós-UTI é um estudo observacional prospectivo multicêntrico com a participação de 10 hospitais representativos das cinco regiões brasileiras. Visa identificar a prevalência e os determinantes de complicações em longo prazo após a alta da UTI no contexto nacional. Pacientes egressos de UTI dos hospitais participantes são incluídos e avaliados durante a hospitalização e acompanhados por um ano através de entrevistas telefônicas estruturadas em três, seis e doze meses pós-alta da UTI. 

Os desfechos avaliados são: dependência funcional física; disfunção cognitiva; sintomas de ansiedade e depressão; sintomas de estresse pós-traumático; rehospitalizações; retorno ao trabalho; mortalidade a longo prazo e  qualidade de vida relacionada à saúde. Adicionalmente, uma parcela de pacientes dos hospitais participantes de Porto Alegre são convidados a participar de um modelo de ambulatório pós-UTI com consultas presenciais realizadas entre seis e 12 meses da inclusão no estudo Qualidade de Vida pós-UTI, como foco em identificar o tempo adequado para uma consulta ambulatorial pós-UTI.


Resultados
O projeto UTIs iniciou em agosto de 2016, com expectativa de finalização em maio de 2019. O estudo UTI Visitas realizou o recrutamento de participantes entre abril de 2017 e dezembro de 2018, com 5837 pacientes, 1508 familiares e 959 profissionais avaliados para elegibilidade. Após análise dos critérios de elegibilidade, foram incluídos no estudo 1685 pacientes, 1060 familiares e 737 profissionais da UTI dos hospitais participantes. 

Os resultados foram submetidos para publicação em revista científica e serão divulgados quando tornados públicos. O registro do protocolo do estudo e seu detalhamento estão publicados e disponíveis a seguir:
Registro do protocolo do estudo UTI Visitas no ClinicalTrial.gov (acesse aqui)

Protocolo detalhado do estudo UTI Visitas (acesse aqui)

Também parte do projeto UTIs, o estudo Qualidade de Vida pós-UTI iniciou em maio de 2014, externamente ao presente projeto, sendo incorporado a este em agosto de 2016. Até novembro de 2017, foram avaliados para elegibilidade no estudo 4113 pacientes egressos de UTIs dos hospitais participantes, sendo incluídos 1618 pacientes. No momento, ainda é realizado o acompanhamento telefônico dos pacientes. Além disso, o estudo avaliou a viabilidade de um modelo de ambulatório pós-UTI, entre fevereiro e dezembro de 2017, com a inclusão de 83 pacientes. Os resultados serão submetidos para publicação.


Liderança
Regis Goulart Rosa – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre – Lattes

Equipe


Colaboração

Hospitais participantes:

Fundação Hospital Adriano Jorge, Manaus, AM

Hospital Agamenon Magalhães, Recife, PE

Hospital Alberto Urquiza Wanderley- Unimed João Pessoa, João Pessoa, PB

Hospital Ana Nery, Santa Cruz do Sul, RS

Hospital da Cidade, Passo Fundo, RS

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP

Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS

Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco, Rio Branco, AC

Hospital de Urgências de Goiânia, Goiânia, GO

Hospital do Câncer de Cascavel, Cascavel, PR

Hospital do Coração, São Paulo, SP

Hospital Dom Vicente Scherer, Porto Alegre, RS

Hospital Dona Helena, Joinville, SC

Hospital Ernesto Dornelles, Porto Alegre, RS

Hospital Geral Clériston Andrade, Feira de Santana, BA

Hospital Geral de Nova Iguaçu, Nova Iguaçu, RJ

Hospital Geral do Estado Prof. Osvaldo Brandão Vilela, Maceió, AL

Hospital Mãe de Deus, Porto Alegre, RS

Hospital Montenegro, Montenegro, RS

Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre, RS

Hospital Regional do Baixo Amazonas, Santarém, PA

Hospital Regional Drº Deoclécio Marques de Lucena, Parnamirim, RN

Hospital Santa Clara, Porto Alegre, RS

Hospital Santa Cruz, Santa Cruz do Sul, RS

Hospital Santa Rita, Porto Alegre, RS

Hospital São Camilo, Esteio, RS

Hospital Tacchini, Bento Gonçalves, RS

Hospital Universitário Alcides Carneiro, Campina Grande, PB

Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI

Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina, PE

Hospital Universitário do Oeste do Paraná, Cascavel, PR

Hospital Universitário Lauro Wanderley, João Pessoa, PB

Pavilhão Pereira Filho, Porto Alegre, RS

Santa Casa da Misericórdia de São João Del-Rei, São João Del Rei, MG

Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana – INCARDIO, Feira de Santana, BA



Área Técnica

Secretaria de Atenção à Saúde (SAS)
Departamento de Atenção Hospitalar e Urgência (DAHU)
Coordenação Geral de Atenção Hospitalar (CGHOSP)



INDICADORES

CONHEÇA OUTROS PROJETOS
Processando