Desenvolvimento de técnicas de operação e gestão de serviços de saúde em uma região intramunicipal de Porto Alegre - Distritos de Saúde Restinga e Extremo-Sul
Hospital Moinhos de Vento

Desenvolvimento de técnicas de operação e gestão de serviços de saúde em uma região intramunicipal de Porto Alegre - Distritos de Saúde Restinga e Extremo-Sul
HRES Gestão
2018-2020

Desenvolvimento de técnicas de operação e gestão de serviços de saúde em uma região intramunicipal de Porto Alegre - Distritos de Saúde Restinga e Extremo-Sul
Resumo
A região que compreende os bairros da Restinga e do Extremo-Sul de Porto Alegre/RS apresentava em 2009 carência de serviços de atenção à saúde. Para estruturar a saúde dessa região com quase 100.000 habitantes e contribuir com o desenvolvimento de técnicas de gestão clínica e administrativa para o SUS, criou-se o Hospital da Restinga e Extremo-Sul (HRES).

O HRES foi construído seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde para a estruturação de Redes de Atenção à Saúde (RAS), com o objetivo de desenvolver um Modelo Organizacional de Serviços de Atenção à Saúde de alta qualidade e eficiência. Para a realização do projeto, foram implantados um Modelo de Infraestrutura Hospitalar, composto por uma estrutura física planejada e uso de sistema de informação; e um Modelo de Gestão da Clínica.

O projeto iniciou com um Diagnóstico de Saúde, descrevendo as características demográficas e socioeconômicas da região, e avaliando a saúde das pessoas e o uso de serviços de saúde pela população dos territórios envolvidos. Os resultados desse estudo orientaram as demais fases do projeto que envolveram a construção do HRES, a implantação do sistema e-SUS hospitalar e a Implantação do Modelo de Gestão da Clínica com dois produtos: Protocolos Clínico-Assistenciais Gerenciados e Indicadores Clínico-Assistenciais Hospitalares.

A partir da implantação do HRES o acesso a serviços que não eram disponibilizados na região tornou-se realidade, com serviços de internação hospitalar, emergência, atendimentos especializados, retaguarda para pacientes graves aguardando UTI, realização de exames e procedimentos específicos com necessidade de alta tecnologia. Além disso, contribuiu com experiências inovadoras em técnicas de gestão, que permitem o uso racional e eficiente dos recursos.

O conjunto das ações realizadas no projeto impactaram em desfechos clínicos favoráveis aos pacientes, incluindo a redução no número de óbitos (mortalidade geral) na região atendida. Além dos resultados na saúde da população, pode-se destacar que a construção e o funcionamento do hospital contribuíram para o desenvolvimento econômico dos territórios de seu entorno.


Introdução
A saúde pública do Brasil é organizada pelo SUS em formato de Rede de Atenção à Saúde, segmentando os serviços e atendimentos em diferentes níveis. Alguns desafios são enfrentados na organização dessa rede, principalmente o acesso em regiões desassistidas e a heterogeneidade de estruturação dos serviços de atenção secundária (ambulatorial e hospitalar). Em Porto Alegre/RS, o território que compreende os bairros da Restinga e do Extremo-Sul da cidade, com população em torno de 100.000 pessoas, era em 2009 uma das áreas de vulnerabilidade social com dificuldade de acesso qualificado e estruturado a serviços de saúde.

A urgência de estruturação da rede de atenção à saúde na região, bem como a necessidade de desenvolvimento de um modelo organizacional de Serviço de Atenção, eficiente e qualificado, atendendo as necessidades da Rede de Atenção à Saúde foram fatores preponderantes para o desenvolvimento deste projeto. O projeto implementou e desenvolveu um modelo organizacional de Serviço de Atenção de alta qualidade, de 2009 a 2018. Neste período foi implantando o Hospital Restinga e Extremo-Sul (HRES), implementou-se o Sistema e-SUS hospitalar e o Modelo de Gestão da Clínica, com o desenvolvimento de protocolos clínico-assistenciais gerenciados e indicadores clínico-assistenciais hospitalares.


Métodos
O Projeto foi estruturado seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde para a organização das Redes de Atenção à Saúde e a implantação foi orientada pelo Diagnóstico de Saúde realizado na etapa inicial do projeto. O diagnóstico fundamentou e adequou o projeto às necessidades da população, com a avaliação da saúde das pessoas, descrição de características demográficas e socioeconômicas, e do uso de serviços de saúde nos bairros que formam o território do Distrito de Saúde da Restinga, composto pelo bairro de mesmo nome, e do Distrito de Saúde Extremo-Sul composto pelos bairros Lageado, Lami, Belém Novo, Ponta Grossa e Chapéu do Sol com uma população de em torno de 100.00 pessoas.

A implantação pode ser descrita em dois períodos: etapa 1 de implantação do modelo de infraestrutura e etapa 2 de implantação do modelo de gestão da clínica. 

Na etapa 1 foi realizada a construção do HRES, com a execução de Centro de Especialidades; Unidade de Diagnóstico; Laboratório de Análises Clinicas e Agência Transfusional; Unidade de Pronto Atendimento; Unidades de Internação Hospitalar; Centro Cirúrgico; Unidade de Terapia Intensiva Adulta; Lactário; Área Administrativa; Apoio Operacional; Escola de Gestão em Saúde; Área Externa; Área Interna; Estrutura Eletroeletrônica; e implantação do Sistema e-SUS Hospitalar.

Na Etapa 2 implementou-se o Modelo de Gestão da Clínica, com a a implantação da Clínica da Família e a elaboração de protocolos clínico-assistenciais gerenciados e indicadores clínicos assistenciais.


Resultados
O projeto entregou à comunidade da Restinga e Extremo-Sul, carente de serviços de saúde, uma unidade hospitalar completa e adequada às reais necessidades de saúde do local. Como resultado imediato, a disponibilização dos novos serviços de assistência contabilizou de janeiro a agosto de 2018: 1.951 internações, 30.184 atendimentos na Emergência e 21.333 exames de imagem.

Para além da ampliação de acesso à diagnóstico e tratamento, a qualificação da assistência prestada impactou na melhoria dos indicadores de mortalidade da região, com redução da mortalidade total (744 óbitos em 2013, para 635 em 2017), e em menores de um ano (24 em 2013 para 14 em 2017)(fonte: sistema de informações sobre mortalidade – SIM).

Além dos resultados diretos na saúde da população, a construção e o funcionamento do hospital contribuíram para o desenvolvimento social e econômico da região. Com a geração de emprego e renda, a partir dos novos postos de trabalho criados, e melhorias da infraestrutura coletiva local, a partir dos serviços públicos ofertados pela rede municipal.

O projeto também implementou modelos eficientes de infraestrutura e de gestão da clínica, contribuindo com experiências inovadoras em gestão para o SUS. Alguns exemplos são: a implantação do Núcleo Interno de Regulação (NIR), que permitiu o uso racional e eficiente dos leitos do hospital, proporcionando maior giro e consequente expansão do número de atendimentos, mantendo a qualidade e segurança assistencial; a implantação do sistema informatizado e-SUS Hospitalar, já disseminado para dezenas de hospitais do Brasil por meio do Ministério da Saúde; e a elaboração de protocolos clínico-assistenciais e de fichas técnicas de indicadores de qualidade aplicáveis ao SUS.


Liderança
Luiz Antonio Mattia

Equipe
Luis Eduardo Ramos Mariath
Josiane Berbigier Weber
Rodrigo da Silva Martins
Anderson Rosa dos Reis
Maria Cristina Cotta Matte
Gisele Alsina Nader Bastos
Andrea Stradolini Freitas Volkmer

Colaboração
Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS/POA)

Área Técnica
Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU)
Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES/MS)

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