Resumo

A incidência de câncer no Brasil é elevada. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 2020 e 2022 são esperados 625 mil casos novos da doença por ano, sendo que desse total são contabilizados mais de 280 mil óbitos anuais no País. 

Para mudar esse cenário, uma opção que mostra eficácia para atingir a cura do câncer é o tratamento com medicamentos do grupo das antraciclinas. Assim como outros medicamentos, as antraciclinas estão associadas à cardiotoxicidade (incidência de 3,2% a 9,3%), manifestando-se por meio de insuficiência cardíaca (IC) por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo. Biomarcadores (troponina e NT-pro BNP) e exames de imagens são recursos utilizados para identificar a cardiotoxidade. O carvedilol é um medicamento α e β-bloqueador, seguro, eficaz e não oneroso, que possui propriedade antioxidante e cardioprotetora, podendo ser benéfico em pacientes oncológicos utilizando antraciclina.

 


Introdução

Este estudo, conduzido pelo Hospital Sírio-Libanês desde o triênio 2018-2020, busca verificar o efeito do carvedilol na prevenção da disfunção sistólica do ventrículo esquerdo em pacientes submetidos à quimioterapia com antraciclina em 12 meses por meio de um ensaio clínico randomizado multicêntrico, duplo-cego e placebo controlado. O estudo é composto por 13 instituições brasileiras e pretende-se incluir 1.018 dos quais metade será alocada no grupo intervenção (carvedilol) e os demais no grupo controle (placebo). 

Serão selecionados pacientes com indicação de antraciclina e maiores de 18 anos, que serão acompanhados por 24 meses realizando eletrocardiograma (antes da randomização, 3, 6 e em 12 meses), ecocardiograma (antes da randomização, 3, 6, 12 e em 24 meses), biomarcadores (antes de iniciar o tratamento, 6, 12 e em 24 meses), avaliação da qualidade de vida (3, 12 e em 24 meses) e avaliação do estado de vida em 18 meses. Desfecho primário do estudo é queda da fração de ejeção >10% para valores menores que 50% do ventrículo esquerdo e eventos cardíacos maiores (morte, infarto, insuficiência cardíaca e arritmias cardíacas complexas) em 12 meses do início do tratamento. Além disso, serão avaliados desfechos de neoplasia, progressão oncológica e recorrência tumoral em 24 meses e desfechos de segurança (efeitos adversos) em 6 meses.

Justificativa e relevância do projeto para o SUS

As antraciclinas são fármacos quimioterápicos utilizados nos esquemas de primeira linha de tratamento oncológico, entretanto estão relacionadas à elevado potencial cardiotóxico. O carvedilol apresenta propriedades farmacológicas que poderiam prevenir a incidência de cardiotoxicidade relacionada às antraciclinas.

A redução da incidência de complicações por meio da administração do carvedilol na rede pública pode impactar em redução de custos, com o tratamento da cardiotoxicidade que pode reduzir a insuficiência cardíaca – doença que custa R$ 22,1 bilhões para o Brasil –, além de melhorar a sobrevida dos pacientes oncológicos do SUS. 

 


Métodos

Estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado, placebo-controlado em 13 instituições brasileiras. Em 24 meses de acompanhamento serão avaliados dados derivados de eletrocardiograma (antes da randomização, em 3, 6 e 12 meses); medidas ecocardiográficas (antes da randomização em 3, 6, 12 e 24 meses); qualidade de vida (antes da randomização, em 3, 6, 12 e 24 meses); e dosagem de biomarcadores (antes de iniciar o tratamento, 6, 12 e em 24 meses).


Resultados

.


Equipe


Conheça outros Projetos_