Resumo

O diabetes é uma doença de alta mortalidade em todo o mundo. Dados da Federação Internacional de Diabetes revelam que o número de pessoas com a doença aumentou em 74 milhões, totalizando 537 milhões de adultos no mundo em 2021. No Brasil, as estimativas mais recentes somam 16,8 milhões de pessoas com a doença, cerca de 7% da população. A prevalência global do diabetes atingiu 9,3%, com mais da metade (50,1%) dos adultos não diagnosticados, com diabetes tipo 2 sendo responsável por cerca de 90% de todas as pessoas desse grupo. Portanto, por não terem conhecimento do diagnóstico, estes indivíduos permanecem por muitos anos com níveis sanguíneos elevados de glicose o que os predispõem ao desenvolvimento de várias complicações dessa doença – como cegueira, doença renal, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou até mesmo a morte. 

 

Além disso, a hiperglicemia (aumento de glicose no sangue) é a principal causa de doença em pequenos (microvasculopatia) e grandes (macrovasculopatia) vasos saguíneos. Dessa forma, o diabetes pode permanecer por muitos anos num estágio de latência com poucos ou sem sintomas e se apresentar tardiamente, com complicações como cegueira, doença renal, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou mesmo morte.


Introdução

O ENDOCRINE trata-se de um estudo observacional, conduzido pelo Hcor, e nacional de 250 pacientes diabéticos elegíveis, entre estes, 100 pacientes diabéticos com infarto agudo do miocárdio e 150 diabéticos com retinopatia. Como controle, haverá um grupo de 50 participantes saudáveis. Todos realizarão exames de sangue além de outros exames e terão acompanhamento previsto de seis meses.  O desfecho principal do estudo será a análise da progressão da doença microvascular retiniana e cardíaca com os níveis de biomarcadores no sangue destes indivíduos.  

 

Neste sentido, este projeto visa determinar o valor prognóstico de biomarcadores do metabolismo tecidual de retinopatia diabética estável e de pacientes com infarto do miocárdio numa coorte nacional de 300 pacientes. Delineando a relação destes metabólitos com a evolução das doenças (retinopatia diabética e infarto) com o objetivo de construir um marcador de risco que possa ser usado de forma isolada ou combinado às características clínicas dos pacientes, auxiliando na implementação de novas intervenções terapêuticas neste grupo específico. 

 

Além da alta prevalência, o diabetes é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica (DAP). Para esse grupo de risco é fundamental o diagnóstico e tratamento precoce. Portanto, o achado de um biomarcador plasmático de fácil dosagem tornará o diagnóstico precoce das complicações do diabetes factível numa abordagem de atenção primária em locais com poucos recursos, e possibilitará a redução de custo com exames mais complexos posteriormente. 

 

O projeto visa determinar o valor prognóstico de biomarcadores do metabolismo tecidual de retinopatia diabética estável e de pacientes com infarto do miocárdio, para construir um marcador de risco que possa ser usado de forma isolada ou combinado às características clínicas dos pacientes, auxiliando no tratamento precoce. 

 

O estudo iniciou-se em 2018 e será concluído em julho de 2022. Os principais envolvidos são: médicos, profissionais da saúde, pacientes diabéticos e pacientes com doença cardiovascular. 

 

Justificativa e relevância do projeto para o SUS

 

Em 2021, o custo estimado do diabetes no Brasil é de 42,9 bilhões de dólares, ficando atrás apenas da China e Estados Unidos, com US$ 165,3 bi e US$ 379,5 bi, respectivamente, segundo dados da 10ª edição do Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IFD, na sigla em inglês). Dessa forma, espera-se que esse estudo possa auxiliar no diagnóstico precoce das complicações do diabetes numa abordagem de atenção primária em locais com poucos recursos e, consequentemente, possibilitar a redução de custo ao Sistema Único de Saúde (SUS).


Métodos

Trata-se de um estudo observacional numa coorte nacional de 300 pacientes, divididos da seguinte forma:

150 Diabéticos com Retinopatia;

  • Pacientes diabéticos, com idade acima de 21 anos, que apresentam retinopatia diabética não clinicamente visível; ou microvasculopatia clínica de retina (retinopatia diabética não proliferativa); ou microvasculopatia proliferativa de retina (retinopatia diabética proliferativa). 
  •  100 pacientes diabéticos com infarto agudo do miocárdio;

  • Pacientes diabéticos com idade acima de 21 anos com infarto agudo do miocárdio (pelos critérios estabelecidos em protocolo).
  • 50 indivíduos saudáveis (controle);

  • Indivíduos com idade acima de 21 anos, sem nenhum relato de doença sabida, internação por doença grave ou em uso de qualquer medicamento. 
  • Todos os participantes realizarão exames de sangue, além de outros exames previstos, e terão acompanhamento previsto de seis meses.  O desfecho principal do estudo será a análise da progressão da doença microvascular retiniana e cardíaca com os níveis de biomarcadores no sangue destes indivíduos. 


    Resultados

    O estudo iniciou em 2018 e será concluído em julho de 2022. Até agosto de 2021, incluiu mais de 295 participantes de pesquisa. 

     

    Os principais interessados nos resultados são gestores do SUS, médicos, profissionais da saúde com o intuito de garantir diagnóstico precoce de complicações em pacientes diabéticos. 

     

    Espera-se que esse estudo possa auxiliar no diagnóstico precoce das complicações do diabetes numa abordagem de atenção primária em locais com poucos recursos, e consequentemente possibilitar a redução de custo com exames mais complexos posteriormente. 


    Equipe


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