Resumo

Cerca de 9 mil enfermidades distintas compõem o grupo de doenças raras conhecidas. O diagnóstico definitivo é desafiador, levando sofrimento aos pacientes e longas buscas por atendimento, gerando um importante impacto no sistema de saúde como um todo, além do aumento de morbidade e mortalidade decorrentes dessas doenças.

O Sequenciamento de Genoma Completo (SGC) tem potencial de substituir vários outros exames diagnósticos, levando não só à diminuição do custo total com a investigação genética, mas também a um menor tempo total de jornada diagnóstica. Ainda assim, o Brasil não encontra sua população representada em estudos de outros países, ou iniciativas internacionais. 

Pensando em desenvolver um estudo que englobasse o país como um todo, incluindo suas particularidades regionais, e abrangesse uma maior diversidade genética, o Ministério da Saúde (MS) propôs a criação do projeto Genomas Brasil, uma grande iniciativa que pretende sequenciar o DNA de 100 mil brasileiros, de todas as regiões, entre coortes de pacientes com doenças raras e coortes populacionais. Para contribuir com o sucesso do projeto e aumentar a capacidade diagnóstica, foi desenvolvido o projeto Genomas Raros, que pretende fazer o sequenciamento genômico completo  de indivíduos com doenças raras, incluindo as síndromes de risco hereditário de câncer. O projeto deve também avaliar, no futuro, a custo-efetividade dessa ferramenta em vários cenários para uso no SUS.

 

Introdução

Serão sequenciados cerca de 8 mil genomas durante o triênio 2021-2023 no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O propósito é avaliar geneticamente as diversas coortes de doenças raras e os pacientes com potencial risco hereditário de câncer. Os familiares de indivíduos que apresentarem algum tipo de alteração estabelecida pelo SGC  também receberão aconselhamento genético. 

Outro objetivo é a atualização anual dos Protocolos Operacionais Padrão (POP) de coleta de informações clínicas, coleta e transporte de amostras biológicas, processamento de amostras biológicas e sequenciamento de nova geração, tratamento dos dados do sequenciamento e melhores práticas em bioinformática, análise e classificação de variantes genéticas e formulação de laudo. 

O projeto também irá catalogar e disponibilizar um banco de dados fenotípicos dos indivíduos que participarem do estudo, além das variações genéticas que causam as doenças. Ao final, serão publicados artigos científicos com os resultados.

A uniformização de protocolos e a base de dados que serão incorporadas ao SUS ao final do programa serão importantes para implementar novos projetos de medicina de precisão, que trarão maior custo-efetividade e melhor qualidade de vida aos brasileiros atendidos pelo SUS. Outras instituições e grupos de pesquisa poderão desenvolver estudos adicionais utilizando o banco de dados criado e disponibilizado ao MS.

Além disso, o projeto tem potencial para redução dos custos de investigação e aumento das taxas de diagnóstico, tratamento e prevenção, melhorando o acesso aos serviços de saúde e à informação, além de contribuir com a redução da morbimortalidade causada por essas doenças. Já o envolvimento de profissionais do SUS de diversos estados criará uma massa crítica de indivíduos treinados em genética, facilitando a futura adoção dessas tecnologias no cuidado à saúde.

 


Métodos

Foram recrutados indivíduos de 18 centros públicos de atendimento a pacientes com doenças raras e com câncer, localizados em quase todas as regiões do país. O  Einstein receberá as amostras coletadas para a extração do DNA e RNA. 

Após a conferência dos dados clínicos, o DNA será enviado para o preparo de biblioteca e, em seguida, sequenciado no Einstein. Com a obtenção dos dados clínicos e genômicos, as amostras serão analisadas em busca de variantes que definem o diagnóstico dos indivíduos investigados. Estes resultados serão informados, por laudos, aos centros participantes, que devem repassar as informações aos pacientes.

Além do resultado imediato de diagnóstico, os centros terão acesso aos dados brutos de seus pacientes e poderão continuar a investigação das causas genéticas, buscando alterações genômicas em diferentes contextos.

 


Resultados

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HIAE e está na etapa de inclusão dos Centros de Referência em Doenças Raras para início da coleta de amostras.


Equipe

  • Hospital Israelita Albert Einstein

    Liderança

    João Bosco Oliveira Filho - Hospital Israelita Albert Einstein - Lattes  


    Equipe

    Tatiana Ferreira de Almeida - Hospital Israelita Albert Einstein - Lattes Murilo Castro Cervato - Hospital Israelita Albert Einstein Bruna Mascaro Cordeiro de Azevedo - Hospital Israelita Albert Einstein - Lattes Danielle Ribeiro Lucon - Hospital Israelita Albert Einstein - Lattes Rafael Lucas Muniz Guedes - Hospital Israelita Albert Einstein - Lattes Elison de Souza Pereira da Silva - Hospital Israelita Albert Einstein Edson Alves de Souza - Hospital Israelita Albert Einstein Diego Delgado Colombo de Oliveira - Hospital Israelita Albert Einstein Ariely Mayumi Diletti Ideguchi - Hospital Israelita Albert Einstein Carolina Naomi Izo Nakamura - Hospital Israelita Albert Einstein Gabriel Hideki Izuka Moraes - Hospital Israelita Albert Einstein Pedro Lui Nigro Chazanas - Hospital Israelita Albert Einstein Francisco Ivanio Arruda Alves - Hospital Israelita Albert Einstein Nuria Bengala Zurro - Hospital Israelita Albert Einstein Gustavo Santos De Oliveira - Hospital Israelita Albert Einstein Gabriela Borges Cherulli Colichio - Hospital Israelita Albert Einstein Camila Oliveira dos Santos Alves - Hospital Israelita Albert Einstein Maria Soares Nobrega - Hospital Israelita Albert Einstein


    Colaboração
    Cristóvão Luis Pitangueiras Mangueira – Hospital Israelita Albert Einstein - Lattes  
    Área Técnica
    Coordenação-Geral de Atenção Especializada, do Departamento de Atenção Especializada e Temática, da Secretaria de Atenção à Saúde (CGAE/DAET/SAS)

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