Resumo

Em 2005, a Organização Mundial de Saúde (OMS) enfatizou aos estados membros a necessidade de fortalecer os mecanismos de tradução e uso do conhecimento para apoiar os sistemas públicos de saúde na formulação de políticas em bases científicas. A Agenda de Saúde para as Américas de 2008-2017 – proposta pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) – considerou urgente a necessidade de aproveitar o conhecimento, a ciência e a tecnologia para favorecer a saúde dos povos americanos. Isso foi reafirmado na agenda de 2018-2030, na qual a tomada de decisão baseada em evidências compõe os objetivos da agenda de saúde sustentável para as Américas.

Avançar nessa direção não é uma tarefa fácil. Deve haver uma maior aproximação entre pesquisadores e decisores. Estudos têm mostrado que a falta de tempo dos gestores, as dificuldades para acessar resultados de pesquisa, a dificuldade com idiomas não nativos, a cultura organizacional que não valoriza o conhecimento ou resiste a mudanças e a dificuldade de interação entre produtores do conhecimento (pesquisadores) e decisores (gestores) são obstáculos que precisam ser superados.

Sintonizado com esses desafios, desde 2015, o Hospital Sírio-Libanês incluiu essa agenda em seus projetos voltados ao PROADI-SUS. A expertise e experiência acumuladas em edições anteriores resultaram na idealização e proposição desta quarta edição do projeto ESPIE. Além de reforçar as diretrizes anteriores – tais como: ampliar capacidades de gestores para uso do conhecimento; promover integração entre pesquisadores e decisores; desenvolver sínteses e implementar processos de mudança informadas por evidências na gestão dos sistemas de saúde-alvo. Nesse contexto, é preciso, por um lado, compreender de forma mais aprofundada os obstáculos que dificultam a utilização de conhecimento nos sistemas locorregionais de saúde das regiões-sede. Por outro, mapear e procurar atender as necessidades singulares dos gestores e organizações de saúde dessas regiões. Dessa forma, será ampliada a possibilidade de institucionalização do conhecimento no processo decisório.


Introdução

O projeto Apoio à formulação e implementação de políticas de saúde informadas por evidências (ESPIE), corresponde à continuidade da iniciativa Gestão de Políticas de Saúde Informadas por Evidências – ESPIE. Nos triênios anteriores, foram realizadas três edições que tiveram como objetivos principais formar especialistas em PIE e implementar ações informadas por evidências nos sistemas locorregionais de saúde das regiões-sede. Na terceira edição, especificamente, foram elaboradas sínteses de evidências e planos de ação, além da avaliação dos resultados das ações implementadas pela iniciativa.

No atual triênio (2021-2023), o projeto objetiva promover estratégias a fim de sensibilizar e engajar gestores públicos das regiões-sede; apoiar líderes e demais públicos de interesse na formulação e implementação de políticas públicas; e contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências que favoreçam a institucionalização de PIE. 

Assim, o foco das capacitações passa a ser as  modalidades de aperfeiçoamento que se diferenciam e se articulam de forma complementar para atingir os objetivos pretendidos e o apoio aos Núcleos de Evidências (NEv), com a elaboração e disponibilização de dispositivos e ferramentas para fomentar as PIE, inclusive com construção/ajustes de guias e protocolos com o objetivo de favorecer tanto a implementação de NEv, quanto a elaboração de sínteses de evidências, estudos de resposta rápida e tradução do conhecimento em linguagem apropriada aos públicos a que se destinam.

 

Justificativa e relevância do projeto para o SUS

Com este projeto em prática neste novo triênio, espera-se obter impactos positivos na sensibilização de gestores públicos para o uso e institucionalização do uso de evidências no processo decisório, contribuindo, consequentemente, para o processo de qualificação da gestão do SUS.


Métodos

A metodologia prevê estratégias/atividades vinculadas aos objetivos do projeto, tais como:

  • Desenvolvimento de competências de gestores, pesquisadores, técnicos e membros da sociedade civil;
  • Apoio à institucionalização do uso de PIE em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, CONASS e CONASEMS;
  • Monitoramento, avaliação e disseminação dos resultados dos processos e produtos desenvolvidos no âmbito do projeto.
  • Com o objetivo de estabelecer estratégias para a institucionalização do uso de evidências científicas no processo decisório, de forma sistemática, transparente e contextualizada, no âmbito da gestão em saúde, será realizado um diagnóstico baseado em ferramentas validadas. O questionário auto avaliativo ‘Is research working for you?’, também conhecido como 4A, se destina a avaliar capacidades institucionais para ‘Adquirir’, ‘Avaliar’, ‘Adaptar ‘e ‘Aplicar’ evidências científicas. A partir deste diagnóstico serão identificadas e priorizadas as fragilidades institucionais para a etapa de discussão local sobre as estratégias para minimizar esses pontos de atenção. 

    Além disso, um segundo objetivo é desenvolver iniciativas educacionais no âmbito da saúde para a incorporação de competências de gestores, técnicos, pesquisadores e membros da sociedade civil em PIE, vinculadas aos cenários de práticas. Os métodos a serem utilizados no processo ensino-aprendizagem serão a espiral construtivista, a problematização e a aprendizagem baseada em equipes na modalidade de Ensino à Distância (EAD) com tutoria. A seleção dos participantes das iniciativas educacionais será realizada por edital nacional.

    Já o terceiro objetivo específico é estabelecer princípios para a estruturação, implementação, monitoramento e manutenção de Núcleos de Evidência (NEv). O projeto foca na criação de um Guia de Serviços dos NEv, documento com informações úteis para o fomento à estruturação, reestruturação e funcionamento desses dispositivos, abrangendo aspectos como recursos humanos, regimento interno, processos de trabalho e ações de monitoramento e avaliação. Outra atividade que contribuirá com este apoio é a elaboração de um protocolo e de uma revisão sistemática: “Estratégias para traduzir o conhecimento em saúde: revisão sistemática”.

    Finalmente, o último e quarto objetivo específico é avaliar e disseminar os resultados dos processos/produtos desenvolvidos no âmbito do projeto. Os resultados e impactos sobre as intervenções nas organizações de saúde (processos e produtos, tais como sínteses de evidências; núcleos de evidências – NEv) utilizarão quadros de referência que consideram o diagnóstico prévio (linha de base) e os resultados esperados. A análise da realidade (linha de base), os resultados esperados e a construção de factibilidade e viabilidade das intervenções utilizarão os fundamentos do planejamento estratégico-situacional.


    Resultados


    Equipe

    • Hospital Sírio-Libanês

      Liderança

      Luiz Fernando Lima Reis - Patrocinador http://lattes.cnpq.br/8296739883987900  

      Alex Ricardo Martins - Gerente de projeto https://br.linkedin.com/in/alexricardomartins

      Silvio Fernandes da Silva - Coordenador do Projeto  http://lattes.cnpq.br/2832324600746331

       

       


      Equipe

      Romeu Gomes, Hospital Sírio-Libanês http://lattes.cnpq.br/6215183415501835  

      Jorge Otávio Maia Barreto, da Fiocruz / Brasília lattes.cnpq.br/6645888812991827

      Renata Rodrigues de Mattos - Coordenadora do Projeto https://www.linkedin.com/in/renata-rmattos/ Clayse Carla da Silva - Analista do Projeto https://www.linkedin.com/in/clayse-carla/  


      Colaboração

      Processo de autoria do projeto:

      Adriano de Oliveira, Aurelina Aguiar de Lima, Davi Mamblona, ​​Elton Chaves, Evelina Chapman, Jorge Otavio Maia Barreto, Nathan Mendes Souza, Nereu Henrique Mansano, Marcel Carvalho, Romeu Gomes, Silvio Fernandes da Silva, Silvana Forti e Ulysses Panisset.

      Termos de referência dos encontros presenciais:

      Adriano de Oliveira, Aline Arcanjo Gomes, Ana Cecília Araújo, Ana Júlia Calazans Duarte, Ana Lucia Marinho Marques, Ana Maria Valle Rabelo, Anderson Cláudio Rodrigues Torreão, Carla Maria Vieira, Dalma da Silveira, Eleonora Padilha Soares, Janaina Carius de Sá, Lara Paixão, Ligia Maria Machado Pereira dos Santos, Letícia Girotto, Luciana Soares de Barros, Luzia Sandra de Paula, Marcelle Regina Silva Benetti, Márcia Niituma Ogata, Maria Lecticia Machry de Pelegrini, Regimarina Soares Reis, Regina Elizabeth Lourenço Cabral Souza, Renata Lemos Petta, Rosa Maria Frizzarin Monetti Bueno e Sueli Fátima Sampaio.


      Área Técnica

      Coordenação Geral de Gestão do Conhecimento do Departamento de Ciência e Tecnologia - CGGCCT Departamento de Ciência e Tecnologia, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

      Ministério da Saúde


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