Resumo

Utilizada por inúmeros países para ampliar a oferta de serviços de saúde, principalmente onde há vazios assistenciais, a telemedicina é definida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) no Brasil como forma de serviços médicos mediados por tecnologias e de comunicação, sendo o exercício da medicina mediado por Tecnologias Digitais, de Informação e de Comunicação (TDICs), para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, gestão e promoção de saúde”, podendo ser realizada em tempo real on-line (síncrona), ou off-line (assíncrona). 

É uma alternativa utilizada para ampliar a oferta de serviços de saúde, principalmente onde há vazios assistenciais, para fornecer assistência médica fora dos serviços de saúde tradicionais, nos casos em que a distância é um fator crítico para o acesso. O Brasil, por ser um país de magnitude continental, possui locais isolados e de difícil acesso, ocasionando distribuição extremamente desigual de recursos médicos de boa qualidade.

Apesar da necessidade e importância da realização de exames oftalmológicos para o cuidado integral à saúde ocular da população, muitas regiões do país carecem de médicos oftalmologistas, e os pacientes aguardam meses por uma avaliação especializada. Somente no interior do Rio Grande do Sul, em 2016 havia mais de 15 mil pessoas aguardando por uma consulta oftalmológica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tempo de espera estimado para o atendimento era, na época, de até 19 meses, sendo que uma das principais causas de demora no atendimento ocorre devido à baixa oferta de profissionais, decorrente da dificuldade de interiorização de médicos oftalmologistas.


Introdução

O Projeto TeleOftalmo foi realizado entre os triênios de 2015-2017, 2018-2020 e 2021-2023, tendo sido encerrado ainda em 2021. A iniciativa veio da necessidade de ampliar o acesso dos pacientes do SUS ao diagnóstico oftalmológico e reduzir a fila de espera para o atendimento nesta especialidade. Nesse sentido, por meio da telemedicina, o projeto buscou aproximar o médico oftalmologista da atenção básica de saúde, principalmente em locais com déficit desta especialidade, avaliando seus custos e efetividade de implantação no Rio Grande do Sul.

Métodos

Para atingir seus objetivos, o projeto implantou 08 consultórios remotos de alta tecnologia capazes de realizar a grande maioria dos diagnósticos oftalmológicos (retinopatia diabética, glaucoma, catarata e erros de refração). Os municípios sedes foram: Porto Alegre, Santa Rosa, Santa Cruz do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santiago e Farroupilha.

Tais consultórios foram coordenados à distância por oftalmologistas, responsáveis por orientar e supervisionar a realização dos exames, e foram operados localmente por uma equipe de técnicos de enfermagem e enfermeiros. Para avaliação do impacto do Projeto TeleOftalmo na saúde dos usuários do SUS, foram realizados estudos de custos, de qualidade diagnóstica e de satisfação dos pacientes em relação ao atendimento.

Em 2017, foram implantados oito consultórios remotos e duas salas de comando. De julho do mesmo ano (início do projeto, com abertura gradativa dos consultórios) até outubro de 2020 foram realizados mais de 30.000 atendimentos e disponibilizados 10.152 óculos à população, de forma gratuita. Das avaliações realizadas, 70% retornaram diretamente para o atendimento na rede de Atenção Primária à Saúde, sem a necessidade de encaminhamento para especialistas.

Os pacientes atendidos no Projeto TeleOftalmo foram encaminhados por meio de uma plataforma web pelos médicos da Atenção Primária à Saúde (APS). O telediagnóstico oftalmológico foi realizado via telemedicina síncrona, onde o oftalmologista, além de supervisionar toda a coleta de dados e imagens, interagia diretamente com o paciente e a equipe de enfermagem dos pontos remotos, controlando uma câmera robotizada de alta definição instalada em um computador com sistema telepresença. Além de operar remotamente a câmera robotizada, o oftalmologista comandava o refrator para a aferição da acuidade visual. Após a análise dos dados e imagens, o oftalmologista emitia o laudo via plataforma web para o médico solicitante, junto com as recomendações de conduta.

Para fim de avaliar o impacto do projeto, foram realizados três estudos: estudo de custos, que mensura os valores com a implantação e manutenção de cada consultório remoto; estudo de qualidade diagnóstica, que compara o laudo do exame médico à distância com o laudo do exame médico presencial; e o estudo de satisfação dos pacientes em relação ao atendimento prestado no consultório remoto.


Resultados

De julho de 2017 a dezembro de 2021, foram realizados quase 40 mil atendimentos e entregues 10.152 óculos à população. As patologias mais prevalentes diagnosticadas por meio do Teleoftalmo foram: erros de refração (70%), presbiopia (56%), catarata (12%), suspeita de glaucoma (8%) e retinopatia diabética não proliferativa (3%). Foi verificado que, aproximadamente, 70% dos pacientes atendidos no Teleoftalmo não necessitavam de avaliação presencial com oftalmologista. E ainda, que a conduta clínica mais comum é a sugestão de prescrição de lentes corretivas, em 75% dos casos. Estudo realizado pelo projeto, demonstrou que, com equilíbrio de oferta e demanda, o TeleOftalmo tem o potencial de reduzir em 31% os custos com atendimento oftalmológico. Ainda foi possível observar, pelos estudos de concordância interobservador e de acurácia diagnóstica, que o diagnóstico recebido pelo paciente por meio do projeto TeleOftalmo apresenta concordância e acurácia satisfatórias. Esses dados demonstram que o modelo do TeleOftalmo, de cuidado integral à saúde ocular, é possível, válido e possui importância para a saúde ocular e para a qualidade de vida da população.

Além dos benefícios associados à oferta de diagnóstico oftalmológico, o projeto qualifica a lista de espera por consulta presencial, uma vez que indica a gravidade do caso e necessidade de avaliação com brevidade. 


Equipe

  • Hospital Moinhos de Vento

    Liderança

    Taís de Campos Moreira - Hospital Moinhos de Vento - Lattes


    Equipe

     

    Maria Eulália Vinadé Chagas - Hospital Moinhos de Vento - Lattes Felipe Cezar Cabral - Hospital Moinhos de Vento - Lattes Márcio Gustavo Santanna - Hospital Moinhos de Vento Juliana Rodrigues Assis - Hospital Moinhos de Vento Simone De Araujo Santiago - Hospital Moinhos de Vento Ana Paula Da Silva Lopes - Hospital Moinhos de Vento Daiane Vanessa Noronha Micheli - Hospital Moinhos de Vento Luana Pereira Ribeiro - Hospital Moinhos de Vento Wagner Pereira da Rosa - Hospital Moinhos de Vento

     


    Colaboração
    TelessaúdeRS-UFRGS Secretaria Estadual de Saúde- SES-RS Secretarias Municipais de Saúde dos municípios sedes dos pontos remotos
    Área Técnica
    Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES) Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES)

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